Conta de luz fica mais cara em maio e já preocupa famílias e pequenos negócios em Rio Verde
Bandeira tarifária saiu do verde para o amarelo, e consumidores passam a pagar cobrança extra na fatura; no comércio local, empresários já relatam dificuldade para fechar as contas do mês
A conta de luz ficou mais cara em maio para os consumidores de todo o país. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou em 24 de abril de 2026 que a bandeira tarifária de maio seria amarela, o que significa cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Segundo a agência, a mudança ocorreu por causa da redução das chuvas na transição do período chuvoso para o seco, cenário que diminui a geração nas hidrelétricas e aumenta a necessidade de acionar usinas termelétricas, que têm custo mais alto.
Na prática, isso quer dizer que a conta de energia de maio já vem um pouco mais pesada, mesmo para quem manteve o mesmo padrão de consumo dos meses anteriores. A Aneel explica que o sistema de bandeiras tarifárias existe justamente para mostrar ao consumidor o custo real da geração de energia em cada momento. Quando a produção fica mais cara, a cobrança extra aparece diretamente na fatura.
Quanto a mais o consumidor paga?
O valor extra parece pequeno quando olhado sozinho, mas pesa mais quando entra no orçamento apertado do mês. De acordo com a referência usada pelo noticiário com base em dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), uma residência com consumo de 187 kWh por mês terá um acréscimo de cerca de R$ 3,52 na conta por causa da bandeira amarela. Em uma casa com consumo de 200 kWh, o impacto fica perto de R$ 3,77. Se o consumo chegar a 300 kWh, o adicional passa de R$ 5,60.
Pode parecer pouco para quem olha de fora, mas, para muitas famílias, qualquer aumento em serviço essencial faz diferença. A conta de luz não chega sozinha: ela disputa espaço com aluguel, supermercado, água, internet, combustível e remédios. Por isso, mesmo um reajuste pequeno no papel vira preocupação real dentro de casa.
Em Rio Verde, o peso vai além da residência
Em Rio Verde, o aumento da conta de luz não preocupa apenas os moradores. Ele também pressiona pequenos negócios, principalmente aqueles que dependem de equipamentos ligados por muitas horas ao longo do dia. É o caso de padarias, mercados, açougues, restaurantes, oficinas, salões de beleza e outros serviços que usam refrigeração, iluminação constante e aparelhos elétricos como parte da operação.
A preocupação faz sentido quando se olha para a economia local. Segundo a página oficial “Nossa Economia”, da Prefeitura de Rio Verde, a maior parte dos empregos formais do município está concentrada em serviços (42,1%), indústria (20,8%) e comércio (20,3%), setores que sentem diretamente qualquer aumento em custo operacional, inclusive na energia elétrica.
“Talvez eu tenha que mandar um ou dois funcionários embora”
Um empresário do setor de panificação em Rio Verde, que pediu para não ter o nome divulgado, afirmou à reportagem que a alta da energia já ameaça o funcionamento do negócio. “A situação está ficando muito difícil. A conta de energia pesa demais para um negócio como padaria, onde praticamente tudo depende de equipamento ligado o tempo todo. Eu, sinceramente, não sei se vou conseguir fechar as contas deste mês. Se continuar desse jeito, vou ter que rever tudo, inclusive a equipe. Hoje, infelizmente, já passa pela minha cabeça a possibilidade de mandar um ou dois funcionários embora.”
O relato mostra como a cobrança extra da bandeira amarela pode ter efeito maior em pequenos empreendimentos do que em residências. Em negócios como padaria, o consumo não depende só de conforto, mas do funcionamento básico da empresa: forno, freezer, geladeira, iluminação e equipamentos de apoio ficam ligados durante boa parte do dia. Quando a conta sobe, a margem de lucro encolhe.
O problema não é só pagar mais — é não conseguir repassar o custo
No comércio, o grande dilema é simples: quando a conta de energia sobe, o empresário até pode tentar repassar uma parte para o preço dos produtos, mas isso nem sempre funciona. Se o consumidor também está apertado, ele compra menos. E aí o empresário sofre dos dois lados: paga mais para manter o negócio aberto e ainda corre o risco de vender menos.
Esse cenário preocupa ainda mais em uma cidade como Rio Verde, onde comércio e serviços têm peso importante na geração de renda e emprego. Quando o custo fixo sobe em série — luz, aluguel, insumos, folha de pagamento — o pequeno empresário costuma ser o primeiro a sentir.
O que mudou em relação aos últimos meses?
De janeiro a abril de 2026, a bandeira tarifária estava verde, o que significava ausência de cobrança extra na conta de luz. A mudança para a bandeira amarela em maio marca o começo de um período menos confortável para o setor elétrico, já que o país entra na fase seca e passa a depender mais de fontes mais caras quando os reservatórios perdem força.
A própria Aneel já havia divulgado, em janeiro, o calendário de acionamento das bandeiras de 2026. A definição da bandeira de maio foi publicada oficialmente no dia 24/04/2026, dentro desse cronograma.
Pode piorar nos próximos meses?
No momento, o que está valendo é a bandeira amarela. Mas a preocupação do mercado e de especialistas é com o comportamento do período seco. Isso porque, se a situação dos reservatórios piorar e o país depender ainda mais das térmicas, a conta pode avançar para as bandeiras vermelhas, que têm cobrança extra bem maior. Pela regra da Aneel, a bandeira vermelha patamar 1 acrescenta R$ 4,463 por 100 kWh, e a vermelha patamar 2, R$ 7,877 por 100 kWh.
Ou seja: o aumento de maio, sozinho, não é devastador. O que preocupa é a possibilidade de a energia continuar pressionando o orçamento nos próximos meses, caso o sistema elétrico entre em situação mais apertada.
Como o consumidor de Rio Verde pode se organizar
Em Goiás, a Equatorial informou nesta semana que os clientes podem escolher a data de vencimento da conta de energia, com seis opções disponíveis, para alinhar o pagamento ao salário ou a outras despesas do mês. Segundo a distribuidora, essa mudança ajuda a evitar atraso, multa e juros, e pode ser feita pelos canais oficiais da empresa.
A Equatorial Goiás informa que atende cerca de 3,5 milhões de unidades consumidoras em 237 municípios e que a solicitação de mudança do vencimento pode ser feita pela Agência Virtual ou pelo Call Center 0800 062 0196. A distribuidora também oferece serviços como segunda via, consulta de débitos e atendimento digital.
Dicas para gastar menos energia e aliviar a conta
A Aneel reforça que, quando a bandeira sobe, o consumidor deve redobrar a atenção com desperdícios. Algumas medidas continuam sendo as mais eficazes: reduzir o tempo de banho com chuveiro elétrico, desligar aparelhos da tomada quando não estiverem em uso, evitar luz acesa sem necessidade e dar preferência a lâmpadas de LED. Em casas com ventilador, ar-condicionado, freezer ou muitos eletrodomésticos, esse cuidado faz ainda mais diferença.
Pode parecer conselho repetido, mas a lógica é simples: na bandeira amarela, cada excesso pesa mais no bolso do que nos meses em que a bandeira está verde.
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