Parque Dezinho: a pista onde o Interlagos aprendeu a se encontrar
Do “lago municipal” retomado em etapas ao parque urbano completo, espaço virou vitrine da prática esportiva em Rio Verde — e acelerou a transformação do bairro
No fim da tarde, quando o vento refresca e as luzes começam a dominar a paisagem, o Parque Dezinho vira uma espécie de relógio do bairro: é ali que a rotina de Rio Verde muda de marcha. De um lado, gente caminhando em ritmo de conversa; de outro, corredores apertando o passo antes de escurecer; mais adiante, bicicletas cruzando a ciclovia; e, no skate, a trilha sonora de rodas no concreto.
Inaugurado em 13 de dezembro de 2019, o espaço tem nome oficial de Parque Walderes Souza de Oliveira, mas ficou conhecido pela homenagem que virou apelido: “Dezinho” (ou “Parque Interlagos”, por estar no Residencial Interlagos). O conjunto entregue inclui quatro quadras poliesportivas, pista de skate, pista de caminhada e ciclovia com mais de 2 km, além de Academia da Saúde e playground — um pacote que, na prática, consolidou o local como referência de atividade física ao ar livre na cidade.
Mas chegar a esse “cartão‑postal esportivo” levou tempo — e explica por que o parque ocupa um lugar emocional na memória urbana do Interlagos. Reportagens locais apontam um intervalo de cerca de 18 anos entre o início do projeto e a inauguração, com registros de paralisações e menção a entraves, inclusive questões judiciais, antes da conclusão.
A origem: quando ainda era “lago municipal” (e o canteiro era o bairro)
Antes de pista e ciclovia, havia um desafio mais básico: fazer o lago existir e se sustentar. Em 2011, a Prefeitura publicou que estava retomando a construção do lago municipal no Residencial Interlagos, descrevendo um local degradado por erosão, acúmulo de detritos e mato alto, e detalhando intervenções típicas de obra de infraestrutura — limpeza geral, drenagem e implantação de rede pluvial para conter a erosão e organizar o escoamento da chuva.
A mesma publicação explica que havia dificuldades adicionais, como afloramentos do lençol freático, exigindo trabalho de drenagem e regularização do terreno — etapa necessária para nivelar o solo em relação ao lago e permitir a implantação de equipamentos previstos (como quadras). A obra ganhou novo impulso em julho de 2011, quando a Prefeitura anunciou a retomada da construção do lago no Residencial Interlagos — medida tomada na gestão do então prefeito Juraci Martins (2009–2016).
O “ensaio” esportivo na água: testes de modalidades no lago
O lago não serviu apenas como elemento paisagístico. Em 2015, a Prefeitura registrou a realização de testes para esportes náuticos no Lago do Interlagos, com demonstrações e avaliação de viabilidade para flyboard, stand up paddle e wakeboard. Segundo a nota oficial, a conclusão foi de que o lago comporta a prática dessas modalidades, e a proposta era agregar uma opção de lazer e atratividade para a cidade.
A virada: retomada, redesenho e inauguração (2018–2019)
A etapa que consolidou a imagem do parque como “academia da cidade” veio quando o projeto foi retomado e reconfigurado. Na inauguração, a Prefeitura afirmou que a obra estava parada havia anos, foi retomada em 2018 e teve o projeto “totalmente redesenhado”, com recursos 100% do município, até ser entregue em dezembro de 2019.
A cobertura local reforça o tamanho do desafio e o caráter de “obra esperada”. O Jornal Somos registrou a inauguração e destacou o histórico de paralisações, além de apontar o intervalo longo desde o início das obras até a entrega. A reportagem também cita que, ao retomar a obra, a gestão encontrou estruturas já existentes (como quadras e instalações elétricas), que precisaram ser reformadas e integradas, com adição de paisagismo e acabamentos até a conclusão.
O que foi entregue: um parque desenhado para rotina, não só para foto
O coração do Parque Dezinho é a infraestrutura esportiva: quatro quadras poliesportivas, pista de skate, pista de caminhada e ciclovia com mais de 2 km, além de Academia da Saúde e playground — itens explicitados na comunicação oficial e repetidos em coberturas locais.
O paisagismo e a permanência também contam história. A Prefeitura divulgou números que dão escala ao lugar: mais de 80 mil m² de grama, 200 palmeiras e 150 árvores nativas. E o conforto urbano veio com mobiliário e iluminação: bancos, pergolados e mais de 100 postes, além de instalação elétrica subterrânea.
A transformação do bairro: quando um parque vira motor urbano
A mudança no Interlagos não ficou restrita ao portão do parque. Uma análise de 2024 descreveu o Residencial Interlagos como vetor de crescimento e desenvolvimento em Rio Verde, destacando o parque como ativo urbano diferencial — com grande lago e infraestrutura para caminhada, bike e esportes. O texto também conecta o bairro a um conjunto de facilidades e acessos, sugerindo que a região ganhou outra centralidade na cidade. O mesmo material aponta um padrão urbano conhecido: regiões próximas a parques tendem a acelerar valorização e atrair empreendimentos, justamente porque parte do público busca morar ao lado de áreas verdes e locais de prática esportiva. Ao mencionar investimentos e empreendimentos na orla do parque, o texto ilustra como o equipamento funciona como âncora para mudanças de perfil — mais serviços, mais conveniência, mais demanda.
Parque também é saúde pública: a “segunda fase” chega em 2025
A vocação esportiva do parque ganhou reforço institucional com o tempo. Em novembro de 2025, reportagem local registrou a inauguração de uma Academia da Saúde instalada no parque, vinculada ao programa Rio Verde Fit, com foco em estimular exercícios e prevenção, ampliando as áreas destinadas à prática de atividades físicas.
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