Rio Verde seleciona 41 pessoas para tentar resolver um desafio antigo da cidade

Hackatur reunirá participantes em busca de soluções capazes de transformar a força econômica do município em oportunidades para o turismo, o comércio e os serviços locais


Rio Verde tem hotéis, restaurantes, eventos, negócios e recebe visitantes de diferentes regiões do país, especialmente em razão da força do agronegócio. O desafio agora é fazer com que parte desse público permaneça mais tempo na cidade, encontre facilmente o que fazer e movimente outros setores da economia local.

É com essa proposta que será realizado o Hackatur 2026, uma maratona de inovação que reunirá 41 participantes selecionados para desenvolver soluções voltadas ao turismo inteligente, à tecnologia e ao fortalecimento da economia de Rio Verde.

O evento está previsto para os dias 6, 7 e 8 de novembro e deverá reunir estudantes, profissionais, empreendedores e pessoas ligadas à tecnologia e à inovação. Durante os três dias, os participantes trabalharão na criação de projetos destinados a enfrentar problemas reais do turismo municipal.

A lista divulgada pela Secretaria Municipal de Turismo ainda é preliminar. O resultado definitivo está previsto para quinta-feira, 22 de outubro, depois do período destinado à apresentação e à análise de possíveis recursos.

Seleção teve 83 participações registradas

O processo registrou 83 participações, considerando candidatos inscritos individualmente e integrantes de equipes previamente formadas. Foram selecionadas 41 pessoas: 21 integrantes de equipes e outras 20 inscritas individualmente.

Também foram colocadas no cadastro de reserva dez equipes, que somam 35 pessoas, além de quatro candidatos individuais. Outros três registros foram classificados como não habilitados ou duplicados.

A seleção levou em consideração quatro aspectos: aderência da proposta aos objetivos do evento, disponibilidade para participar dos três dias, competências apresentadas pelos candidatos e clareza das informações fornecidas na inscrição. Segundo o resultado oficial, as descrições qualitativas não equivalem a uma pontuação pública, e o edital não estabelece pesos diferentes para os quatro critérios.

Os participantes poderão trabalhar em equipes formadas por pessoas de diferentes áreas. A intenção é aproximar conhecimentos de turismo, administração, comunicação, tecnologia, análise de dados, design e empreendedorismo.

Ideias vão de roteiros personalizados à aproximação com empresas locais

Algumas propostas inscritas ajudam a mostrar que tipo de solução poderá sair do Hackatur.

Uma das equipes apresentou a ideia denominada “Viva RV”, que pretende combinar gamificação, visitas, roteiros turísticos e conexão com estabelecimentos locais. O objetivo seria estimular o visitante a conhecer diferentes pontos da cidade e consumir em empresas participantes.

Outra proposta prevê a criação de roteiros personalizados de acordo com o tempo disponível, o orçamento, a forma de deslocamento e as necessidades de acessibilidade de cada visitante. A iniciativa tenta enfrentar diretamente uma dificuldade comum: a pessoa chega a Rio Verde, mas não sabe quais lugares visitar nem como organizar o período livre.

As soluções ainda serão desenvolvidas, avaliadas e transformadas em protótipos durante o evento. Portanto, não existe garantia de que se tornarão aplicativos, serviços ou políticas públicas permanentes.

O Hackatur deverá funcionar justamente como um laboratório: os participantes recebem os desafios, organizam as equipes, desenvolvem as propostas e apresentam os projetos a uma comissão avaliadora.

Evento terá R$ 15 mil em premiações

O concurso prevê R$ 15 mil para a premiação das melhores soluções. O recurso tem origem na Emenda Impositiva nº 06 e está vinculado às ações municipais de promoção de eventos e divulgação turística.

A realização está sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Turismo e conta com o apoio institucional do Hub Goiás Rio Verde, ligado ao Governo de Goiás por meio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com a Prefeitura.

O valor estimado do concurso aparece no portal municipal de licitações como R$ 15 mil. O procedimento foi publicado em 15 de setembro e permanece em andamento.

Problema não é apenas criar uma nova atração turística

O estudo técnico que embasou o evento reconhece que Rio Verde precisa melhorar a experiência oferecida aos visitantes, integrar informações do setor e obter dados mais precisos sobre o fluxo de pessoas que passam pelo município.

O documento também aponta a necessidade de aproximar a administração pública, instituições de ensino, empresas, startups, empreendedores e a sociedade na construção das soluções.

Isso amplia o debate para além da criação de pontos turísticos tradicionais. Uma solução para Rio Verde pode envolver, por exemplo, uma plataforma reunindo restaurantes, eventos, parques, hotéis, estabelecimentos comerciais, propriedades de turismo rural e opções culturais.

Também pode ajudar a responder perguntas que hoje nem sempre são fáceis para quem visita a cidade: o que fazer depois de uma reunião, onde encontrar atrações abertas no fim de semana, quais eventos acontecem naquele dia e como chegar aos locais utilizando diferentes meios de transporte.

O turismo de negócios pode ser o ponto de partida. Rio Verde recebe representantes comerciais, técnicos, produtores rurais, empresários, estudantes e profissionais ligados às grandes cadeias produtivas instaladas na região. Uma parte dessas pessoas já ocupa hotéis e frequenta restaurantes, mas existe espaço para ampliar seu contato com outros negócios locais.

Gastronomia e eventos mostram potencial econômico

Experiências recentes indicam que Rio Verde consegue mobilizar público em torno da gastronomia, da cultura e dos eventos. Em agosto, a cidade abriu a programação da Rota Gastronômica Goiás, reunindo restaurantes, produtores, oficinas, apresentações culturais e chefs convidados.

O projeto contou com aproximadamente 30 estabelecimentos participantes em cada cidade por onde passou e utilizou a gastronomia regional como instrumento de divulgação turística e estímulo à economia criativa.

Essa experiência mostra que o turismo local não precisa depender exclusivamente de monumentos ou paisagens conhecidas nacionalmente. Gastronomia, agronegócio, cultura, eventos, atividades rurais e experiências regionais podem ser reunidos em roteiros capazes de gerar circulação econômica.

Para isso, porém, o visitante precisa encontrar as informações de forma simples. Uma boa atração perde parte do potencial quando não aparece nas buscas, não possui horário atualizado, não oferece localização clara ou não está conectada a outras opções de lazer e serviços.

Maior desafio começará depois do Hackatur

A seleção dos participantes e a realização da maratona representam apenas a primeira etapa. O resultado prático dependerá do destino dado às propostas vencedoras.

Hackathons normalmente conseguem produzir ideias e protótipos em pouco tempo, mas a transformação desses projetos em ferramentas permanentes exige investimento, manutenção técnica, atualização de informações e participação das empresas locais.

No caso de um aplicativo turístico, por exemplo, não basta lançá-lo. Será necessário manter os dados atualizados, incluir novos estabelecimentos, divulgar a plataforma entre os visitantes e medir quantas pessoas realmente utilizam o serviço.

O estudo técnico prevê que as soluções sejam avaliadas por uma comissão tecnicamente qualificada e escolhidas por mérito. O documento também estabelece regras para publicidade das etapas, propriedade intelectual dos projetos e tratamento dos dados pessoais dos participantes.

A expectativa criada pelo Hackatur, portanto, vai além dos três dias de competição. O teste decisivo será verificar se alguma das propostas conseguirá sair da apresentação, transformar-se em projeto viável e produzir resultados mensuráveis para o turismo e a economia de Rio Verde.

Com 41 participantes selecionados, R$ 15 mil em premiações e diferentes áreas reunidas, o município terá um conjunto de ideias à disposição. A resposta mais importante, porém, deverá vir depois de novembro: Rio Verde conseguirá transformar essas ideias em soluções efetivamente utilizadas por moradores, visitantes e empresas?

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