Rio Verde terá dois deputados federais a partir de 2027; veja o que a cidade pode ganhar
Lucas do Vale estreia na Câmara e Marussa Boldrin inicia o segundo mandato; recursos para saúde, aeroporto, rodovias e educação estarão entre as principais expectativas
Rio Verde começará 2027 com dois representantes diretamente ligados ao município na Câmara dos Deputados. Lucas do Vale, do PSD, iniciará o primeiro mandato como deputado federal, enquanto Marussa Boldrin, do Republicanos, assumirá o segundo mandato consecutivo em Brasília.
Os dois tomarão posse em 1º de fevereiro e representarão todo o estado de Goiás, mas o vínculo político e eleitoral com Rio Verde cria uma expectativa especial sobre a atuação dos novos mandatos.
Lucas do Vale foi eleito com 126.679 votos em Goiás. Desse total, 54.967 vieram de Rio Verde, município responsável por 43,4% de toda a votação recebida pelo parlamentar no estado.
Marussa Boldrin garantiu a reeleição com 88.888 votos. Rio Verde também foi a cidade onde a deputada recebeu sua maior votação, com 7.551 votos.
A presença simultânea dos dois parlamentares dará ao município dois canais de interlocução com ministérios, órgãos federais e o próprio Congresso Nacional. Na prática, isso poderá facilitar a apresentação de demandas, a destinação de emendas parlamentares e o acompanhamento de projetos considerados estratégicos para a cidade.
O resultado, porém, não será automático. Deputados federais não executam obras nem administram serviços municipais. A principal contribuição ocorre por meio da indicação de recursos no Orçamento da União, da articulação política e da fiscalização de programas e contratos federais.
Saúde deverá concentrar parte das demandas
A saúde deverá ser uma das principais áreas de cobrança. Rio Verde mantém uma estrutura que atende não apenas a população local, mas também pacientes de outros municípios do Sudoeste goiano.
A expectativa é que os dois deputados possam destinar recursos para o custeio das unidades, aquisição de equipamentos, atenção básica, ambulâncias e ampliação dos serviços hospitalares. O Hospital Municipal Universitário deverá ocupar posição central nessa articulação.
Marussa já possui experiência nessa área. Em 2026, parte das emendas apresentadas pela deputada foi destinada ao custeio da atenção primária, dos serviços hospitalares e ambulatoriais e à estruturação de unidades de saúde em Goiás.
O desafio será transformar indicações orçamentárias em recursos efetivamente pagos. Projetos anunciados ou valores apenas autorizados não significam necessariamente que o dinheiro chegou ao município.
Aeroporto pode entrar na agenda federal
Outra frente importante será o Aeroporto General Leite de Castro. A estrutura é considerada estratégica para a economia regional, mas ainda enfrenta limitações que dificultam a ampliação da oferta de voos e a operação regular de aeronaves maiores.
O Governo Federal prevê aproximadamente R$ 2 bilhões para intervenções em aeroportos regionais entre 2027 e 2030. Rio Verde não tem recursos garantidos nessa carteira, mas a presença de dois representantes poderá ampliar a capacidade de articulação junto ao Ministério de Portos e Aeroportos e à Secretaria Nacional de Aviação Civil.
Entre as possíveis reivindicações estão a modernização da infraestrutura aeroportuária, equipamentos operacionais, melhorias no terminal de passageiros e a inclusão do aeroporto em programas federais.
Os parlamentares também poderão aproximar o município das companhias aéreas, embora a abertura de novas rotas dependa de estudos de demanda, condições técnicas e viabilidade comercial.
Rodovias e concessão também exigirão acompanhamento
As BRs 060 e 452 são fundamentais para o deslocamento da população e para o escoamento da produção de Rio Verde. Os trechos integram uma concessão federal que prevê duplicações, viadutos, novas interseções, serviços operacionais e cobrança de pedágio.
Uma das intervenções previstas é a construção de um novo viaduto sobre a BR-060, ligando a região da Avenida Presidente Vargas à área do aeroporto. A conclusão está prevista para o primeiro semestre de 2028.
Lucas e Marussa poderão acompanhar o cronograma das obras, cobrar informações da Agência Nacional de Transportes Terrestres e pressionar pelo cumprimento das obrigações assumidas pela concessionária Rota Verde Goiás.
A atuação parlamentar poderá ganhar importância diante de atrasos, alterações nos projetos, problemas de segurança ou dificuldades nos acessos urbanos.
Emendas poderão atender diferentes setores
A representação ampliada também poderá resultar em mais recursos para educação, assistência social, infraestrutura urbana, esporte, cultura e entidades filantrópicas.
Com dois gabinetes ligados à cidade, existe a possibilidade de distribuir as prioridades. Um parlamentar pode concentrar recursos em determinado setor, enquanto o outro atende uma demanda diferente. Os dois também poderão somar emendas para viabilizar projetos de maior porte.
Rio Verde poderá buscar recursos para áreas como:
custeio e equipamentos para a saúde;
assistência social e atendimento à população em situação de rua;
infraestrutura e mobilidade urbana;
escolas e qualificação profissional;
esporte, cultura e turismo;
agricultura familiar;
inovação e desenvolvimento industrial;
entidades que prestam atendimento à população.
Para aproveitar essa oportunidade, a Prefeitura e as instituições locais precisarão apresentar projetos completos, com documentação, orçamento, objetivos e plano de execução. Uma emenda pode permanecer sem pagamento quando o beneficiário não cumpre as exigências técnicas ou deixa de apresentar as informações necessárias.
Marussa leva experiência e atuação ligada ao campo
Marussa chegará ao novo mandato com quatro anos de experiência na Câmara. Sua atuação tem ligação principalmente com o agronegócio, o cooperativismo, o empreendedorismo e as políticas voltadas para mulheres e jovens.
Em 2026, a parlamentar era titular da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e suplente nas comissões de Finanças e Tributação e de Saúde.
Engenheira agrônoma formada pela Universidade de Rio Verde, Marussa também possui mestrado na área de Ciências Agrárias. A trajetória coloca a deputada em posição para representar demandas relacionadas à principal atividade econômica do município.
Crédito rural, seguro agrícola, armazenagem, logística, fertilizantes, tributação, pesquisa e industrialização estão entre os temas discutidos em Brasília que afetam diretamente produtores e empresas da região.
Lucas levará experiência da Assembleia Legislativa
Lucas do Vale chegará à Câmara depois de exercer mandato como deputado estadual. Na Assembleia Legislativa de Goiás, construiu sua base política por meio da atuação em Rio Verde e em outros municípios do estado.
A votação recebida na cidade aumenta a responsabilidade do futuro deputado. Os 54.967 votos conquistados em Rio Verde representam quase metade de toda a votação obtida por Lucas em Goiás.
A expectativa será que esse apoio se transforme em presença política, recursos federais e defesa das principais demandas do município.
O novo mandato também poderá ampliar a articulação entre os governos municipal, estadual e federal, especialmente em projetos que dependem da participação das três esferas.
Rivalidade poderá estimular resultados ou dividir esforços
Lucas do Vale e Marussa Boldrin pertencem a partidos diferentes e disputaram diretamente o eleitorado de Rio Verde em 2026. A concorrência poderá estimular os dois a apresentar resultados e manter uma presença mais constante no município.
Também existe a possibilidade de cooperação em temas que ultrapassam as diferenças partidárias. Projetos relacionados ao aeroporto, à saúde regional, às rodovias e à educação poderão avançar mais rapidamente se forem defendidos pelos dois parlamentares.
Por outro lado, a rivalidade entre os grupos políticos poderá fragmentar as demandas e dificultar a construção de uma agenda conjunta.
Para Rio Verde, o melhor cenário seria manter a disputa eleitoral separada dos projetos estruturais. A cidade poderá ganhar mais se os dois gabinetes atuarem de maneira complementar, especialmente nas iniciativas que exigem investimentos elevados e articulação prolongada.
Prefeitura precisará apresentar uma agenda para Brasília
A presença de dois deputados não elimina a responsabilidade da administração municipal. Para obter resultados, a Prefeitura precisará organizar uma carteira de projetos e definir quais demandas devem ser tratadas como prioridade.
Entre os temas que podem integrar essa agenda estão o fortalecimento do Hospital Municipal Universitário, a modernização do aeroporto, o acompanhamento das obras nas BRs 060 e 452, a ampliação da rede de saúde, o apoio à UniRV e a atração de novos investimentos.
A divulgação pública dessas prioridades também permitiria à população acompanhar os compromissos assumidos pelos parlamentares e verificar quanto cada um destinou ao município.
Mais importante que anunciar emendas será saber quanto foi empenhado, pago e efetivamente aplicado.
Representação maior também aumenta a cobrança
Rio Verde terá, a partir de fevereiro, dois gabinetes aos quais poderá apresentar projetos e cobrar respostas. A situação amplia a influência política do município, mas também eleva as expectativas sobre os resultados.
A atuação poderá ser avaliada pelo volume de recursos efetivamente recebido, pela inclusão de projetos locais no Orçamento da União, pelas negociações realizadas com ministérios e pelos avanços concretos em obras e serviços.
Lucas do Vale e Marussa Boldrin representarão todos os goianos, mas a origem política e a votação dos dois estabelecem uma ligação direta com Rio Verde.
A cidade terá uma oportunidade rara de ampliar sua presença em Brasília. O teste começará em 2027, quando será possível verificar se a força política conquistada nas urnas conseguirá se transformar em recursos, obras e serviços para a população.
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