Pesquisas confirmam liderança de Daniel Vilela, mas divergem sobre distância e segundo lugar em Goiás

Levantamentos divulgados em setembro colocam o candidato do MDB na frente, enquanto Marconi Perillo e Wilder Morais alternam posições; diferenças de período, amostra e metodologia exigem cautela na comparação


A reta final da disputa pelo governo de Goiás apresenta uma conclusão comum entre as pesquisas eleitorais mais recentes: Daniel Vilela, do MDB, aparece na liderança. A dimensão dessa vantagem e a definição de quem ocupa a segunda colocação, entretanto, mudam de acordo com o instituto responsável pelo levantamento.

Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em 22 de setembro, Daniel Vilela alcançou 46% das intenções de voto no cenário estimulado. Wilder Morais, do PL, apareceu com 19%, enquanto Marconi Perillo, do PSDB, registrou 18%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados na segunda posição.

O levantamento do Igape apresentou uma configuração diferente. Daniel Vilela marcou 40,3%, seguido por Marconi Perillo, com 29,4%, e Wilder Morais, com 17,7%. Nesse estudo, a diferença entre o primeiro e o segundo colocado foi de 10,9 pontos percentuais, bem menor que os 27 pontos registrados entre os dois primeiros numericamente colocados no Real Time Big Data.

Uma pesquisa anterior do Paraná Pesquisas, divulgada em 11 de setembro, mostrou um cenário intermediário. Daniel Vilela apareceu com 45,1%, Marconi Perillo com 23,2% e Wilder Morais com 15%.

Os três levantamentos, portanto, concordam sobre a liderança, mas não apresentam o mesmo retrato sobre o tamanho da vantagem nem sobre a ordem dos adversários.

Veja os resultados das pesquisas estimuladas

Real Time Big Data

Daniel Vilela (MDB): 46%
Wilder Morais (PL): 19%
Marconi Perillo (PSDB): 18%
Luis Cesar Bueno (PT): 8%
Branco ou nulo: 5%
Não sabe ou não respondeu: 4%
Danilo Pinheiro (PCO) e Luciana Amorim (UP) não pontuaram.

Igape

Daniel Vilela (MDB): 40,3%
Marconi Perillo (PSDB): 29,4%
Wilder Morais (PL): 17,7%
Luis Cesar Bueno (PT): 6,8%
Luciana Amorim (UP): 0,7%
Danilo da Silva (PCO): 0,4%
Branco ou nulo: 1,1%
Não sabe ou não opinou: 3,6%.

Paraná Pesquisas

Daniel Vilela (MDB): 45,1%
Marconi Perillo (PSDB): 23,2%
Wilder Morais (PL): 15%
Luis Cesar Bueno (PT): 3,4%
Luciana Amorim (UP): 1,6%
Danilo Pinheiro (PCO): 1,5%
Nenhum, branco ou nulo: 6%
Não sabe ou não opinou: 4,2%.
Diferença entre os institutos chega a nove pontos para Marconi Perillo

A maior variação entre os principais candidatos ocorre no desempenho de Marconi Perillo. O candidato aparece com 18% no Real Time Big Data, 23,2% no Paraná Pesquisas e 29,4% no Igape. A distância entre o menor e o maior resultado é de 11,4 pontos percentuais.

Wilder Morais apresentou oscilação menor entre os três levantamentos: 15% no Paraná Pesquisas, 17,7% no Igape e 19% no Real Time Big Data.

Daniel Vilela, por sua vez, variou entre 40,3% e 46%. Apesar dessa diferença, permaneceu em primeiro lugar nas três pesquisas.

Os resultados não devem ser somados nem tratados como se fossem partes de uma única pesquisa. Cada levantamento representa uma amostra independente do eleitorado, realizada em datas e condições próprias.

Períodos de coleta foram diferentes

O Real Time Big Data entrevistou 1.600 eleitores entre 17 e 21 de setembro. A margem de erro informada foi de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número GO-04616/2026.

O Igape ouviu 2 mil eleitores entre 14 e 19 de setembro. A margem de erro foi de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pela TV Atual e registrada sob o número GO-04214/2026.

O Paraná Pesquisas realizou 1.248 entrevistas em 61 municípios entre 8 e 10 de setembro. O trabalho utilizou entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais, apresentou margem de erro de 2,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral é GO-03096/2026.

Como os períodos não coincidem, parte da diferença pode refletir mudanças ocorridas ao longo da campanha. Outros fatores possíveis estão relacionados ao plano amostral, à distribuição geográfica das entrevistas, à formulação e à ordem das perguntas. Esses elementos devem ser consultados nos registros metodológicos antes de se fazer uma comparação definitiva.

Pesquisa espontânea mostra eleitor menos decidido

A diferença entre os cenários estimulados e espontâneos também chama atenção. Na pesquisa espontânea, os entrevistadores não apresentam uma lista de candidatos. O eleitor precisa citar um nome diretamente.

No Real Time Big Data, Daniel Vilela foi mencionado espontaneamente por 25% dos entrevistados. Marconi Perillo e Wilder Morais apareceram com 10% cada, enquanto 44% não souberam responder.

No Paraná Pesquisas, Daniel Vilela teve 24% na espontânea, seguido por Marconi Perillo, com 9,9%, e Wilder Morais, com 6,3%. Nesse levantamento, 52,8% não souberam ou não quiseram opinar.

O elevado percentual de eleitores sem resposta espontânea indica que muitas pessoas reconhecem uma preferência quando recebem a lista, mas ainda não citam o candidato por iniciativa própria.

Real Time aponta disputa próxima do limite para decisão no primeiro turno

O Real Time Big Data calculou que Daniel Vilela teria 50% dos votos válidos no cenário pesquisado. Wilder Morais apareceria com 21%, Marconi Perillo com 20% e Luis Cesar Bueno com 9%.

Esse resultado coloca o candidato do MDB próximo do limite necessário para uma decisão no primeiro turno, mas não autoriza afirmar que a eleição esteja definida. Para ser eleito nessa etapa, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos, excluídos os votos brancos e nulos. Além disso, pesquisas possuem margem de erro e representam a opinião dos entrevistados durante o período da coleta.

No resultado bruto do mesmo levantamento, Daniel Vilela aparece com 46%, enquanto a soma dos adversários chega a 45%. Brancos, nulos e pessoas sem resposta completam o cenário.

Simulações de segundo turno mantêm liderança

O Real Time Big Data também testou três confrontos de segundo turno. Contra Marconi Perillo, Daniel Vilela marcou 58%, diante de 28% do candidato do PSDB. Outros 7% escolheram branco ou nulo, e 7% não responderam.

No confronto com Wilder Morais, Daniel Vilela registrou 55%, enquanto o candidato do PL alcançou 31%. Brancos e nulos somaram 7%, e outros 7% não souberam responder.

Em uma simulação entre os dois principais adversários, Wilder Morais apareceu com 42% e Marconi Perillo com 36%. Nesse cenário, 12% escolheram branco ou nulo e 10% não responderam.

Rejeição também varia entre os levantamentos

A rejeição mede em qual candidato o entrevistado afirma que não votaria. No Real Time Big Data, Marconi Perillo apresentou 43%, seguido por Wilder Morais, com 38%, Luis Cesar Bueno, com 35%, e Daniel Vilela, com 30%.

No Paraná Pesquisas, Marconi Perillo também apareceu com a maior rejeição, mas com 40,9%. Daniel Vilela registrou 16,8% e Wilder Morais, 16,7%. Nesse levantamento, cada entrevistado poderia indicar mais de um nome.

Como a forma de formular a pergunta e a possibilidade de escolher um ou vários candidatos podem alterar o resultado, índices de rejeição obtidos por metodologias diferentes não devem ser comparados diretamente.

Quem está em segundo lugar?

A resposta depende do levantamento observado.

No Real Time Big Data, Wilder Morais aparece numericamente à frente de Marconi Perillo, mas ambos estão tecnicamente empatados. No Igape e no Paraná Pesquisas, Marconi Perillo ocupa a segunda posição numérica.

O ponto de convergência é a liderança de Daniel Vilela. As três pesquisas colocam o candidato do MDB na frente, mas apresentam vantagens que variam de 10,9 a 27 pontos percentuais sobre o segundo colocado numérico.

A divergência não significa, por si só, que alguma pesquisa esteja necessariamente errada. Levantamentos eleitorais são retratos produzidos a partir de amostras, períodos e métodos específicos. Para o eleitor, a leitura mais responsável é observar o conjunto das pesquisas, conferir o registro na Justiça Eleitoral e acompanhar se os movimentos se repetem nos próximos levantamentos.

Compartilhe

Comente: Pesquisas confirmam liderança de Daniel Vilela, mas divergem sobre distância e segundo lugar em Goiás