Rio Verde deixa de ser só agro e vê serviços, indústria e comércio ganharem força na economia local

Com população estimada em mais de 241 mil habitantes e PIB per capita próximo de R$ 99 mil, município consolida papel de polo regional no Sudoeste Goiano


Rio Verde segue conhecida nacionalmente pela força do agronegócio, mas os dados mais recentes mostram que a economia local está cada vez mais diversificada. Além da produção rural e da agroindústria, setores como serviços, comércio, construção, transporte, logística, alimentação e educação passaram a ocupar espaço decisivo na geração de empregos e na dinâmica urbana do município. Segundo o IBGE, Rio Verde tinha população estimada de 241.494 habitantes em 2025, área territorial de 8.374,254 km² e PIB per capita de R$ 98.849,92 em 2023.

A transformação econômica aparece também no mercado formal de trabalho. Levantamento publicado com base no Novo Caged apontou que Rio Verde registrou, em 2026, saldo positivo de 2.928 vagas com carteira assinada, resultado de 20.844 admissões e 17.916 desligamentos, além de estoque de 74.152 trabalhadores formais. O desempenho foi sustentado principalmente por serviços, agropecuária, indústria e construção civil, indicando que a cidade já não depende apenas de uma única base produtiva.

O setor de serviços aparece como um dos principais motores desse novo momento. Ainda segundo o levantamento divulgado pelo portal Rio Verde Rural, os serviços responderam por saldo positivo de 1.665 vagas em 2026, com 8.671 admissões e 7.006 desligamentos, alcançando estoque de 28.317 trabalhadores. A expansão desse segmento acompanha o crescimento da população, o aumento da renda local, a demanda por atividades especializadas e o avanço de cadeias ligadas ao campo, à indústria, ao transporte e à logística.

A força do agro, no entanto, segue como base estrutural da economia rio-verdense. O Observatório Setorial Territorial, iniciativa com dados do Sebrae, mostra que a soja em grão foi o item agrícola de maior valor em 2024, com R$ 2,683 bilhões, enquanto o principal item da pecuária em volume foi o total de 11,311 milhões de galináceos. O mesmo painel aponta que, em 2025, os setores que mais reuniam trabalhadores no município eram fabricação de produtos alimentícios, comércio varejista e agricultura, pecuária e serviços relacionados.

Essa combinação entre campo, indústria e cidade ajuda a explicar por que Rio Verde ganhou protagonismo dentro de Goiás. Dados do IBGE apontam que o município tinha 89.857 pessoas ocupadas em postos formais em 2023, salário médio mensal de 2,3 salários mínimos e receitas brutas realizadas de R$ 2,442 bilhões em 2025. Esses indicadores reforçam o peso de Rio Verde não apenas como município produtor, mas como centro econômico com capacidade de arrecadação, consumo, investimentos públicos e demanda crescente por infraestrutura urbana.

O crescimento também aparece no ambiente empresarial. A plataforma Dados Brasil, com base em informações da Receita Federal, indicava 34.592 matrizes ativas em Rio Verde em julho de 2026, com destaque para comércio, transporte e logística, construção, alimentação e indústria de transformação entre os setores com maior número de empresas ativas. Já o Observatório do Sebrae apontava 37.538 empresas ativas em maio de 2026, além de 17.448 estabelecimentos cadastrados em 2025, reforçando a densidade empresarial do município.

A diversificação econômica também muda o perfil urbano de Rio Verde. Com mais empresas, empregos e renda circulando, cresce a demanda por moradia, escolas, saúde, alimentação fora de casa, serviços profissionais, transporte, manutenção, lazer e comércio de bairro. O IBGE registra que o município tinha 29.421 matrículas no ensino fundamental e 9.577 no ensino médio em 2025, além de 92 escolas de ensino fundamental e 31 escolas de ensino médio, números que ajudam a dimensionar a pressão sobre a rede urbana e os serviços públicos.

Outro sinal da mudança é a importância da educação superior e da qualificação profissional. O Observatório do Sebrae aponta que Rio Verde tinha 16.047 matrículas no ensino superior em 2024, sendo a Universidade de Rio Verde a instituição com maior concentração de alunos, com 6.894 estudantes. Esse contingente ajuda a formar mão de obra para empresas locais e também reforça o papel da cidade como polo educacional para municípios vizinhos do Sudoeste Goiano.

Apesar dos avanços, o crescimento acelerado traz desafios. O IBGE informa que Rio Verde tinha 84,22% de esgotamento sanitário por rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede em 2022, 86,73% de arborização de vias públicas e apenas 20,6% de urbanização de vias públicas em 2010. Esses indicadores mostram que a expansão econômica precisa ser acompanhada por investimentos contínuos em infraestrutura, mobilidade, saneamento, habitação e planejamento urbano.

Na prática, Rio Verde vive uma transição. A cidade continua sendo uma potência do agronegócio, mas o crescimento dos serviços, da indústria, do comércio, da logística e da educação mostra que o município se tornou mais complexo. O desafio agora é transformar a força econômica em qualidade de vida, garantindo que o avanço dos empregos e dos investimentos venha acompanhado de melhor infraestrutura, acesso a serviços e planejamento para os próximos anos.

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