Inpasa em Rio Verde deve iniciar produção em 2026 e transformar economia local
Com início de produção previsto para dezembro de 2026, biorrefinaria deve impulsionar empregos, renda, milho, logística e agregação de valor no agronegócio rio-verdense
Rio Verde está prestes a entrar em uma nova fase de desenvolvimento econômico com a chegada da Inpasa, maior biorrefinaria de etanol de grãos da América Latina. Mesmo em um cenário nacional de juros altos e maior cautela em novos investimentos no setor, a empresa mantém seu plano de expansão e confirmou que a primeira etapa da unidade rio-verdense deve iniciar produção em dezembro de 2026.
A informação reforça a importância estratégica de Rio Verde dentro da nova rota brasileira da bioenergia. De acordo com entrevista concedida ao AgFeed por Flávio Peruzo Gonçalves, vice-presidente de Negócios de Originação da Inpasa, a primeira linha da planta de Rio Verde começará com capacidade para processar o equivalente a 1 milhão de toneladas de milho por ano, enquanto a segunda linha está prevista para fevereiro de 2027.
Quando estiver em plena operação, a unidade de Rio Verde terá capacidade anual para processar cerca de 2 milhões de toneladas de grãos e produzir aproximadamente 1 bilhão de litros de etanol, além de DDGS, óleo vegetal e energia elétrica a partir de biomassa, segundo informações divulgadas pela própria companhia.
O investimento anunciado é de R$ 2,4 bilhões, com previsão de geração de até 2,7 mil empregos diretos e indiretos durante a construção e cerca de 420 postos fixos na fase operacional.
A escolha de Rio Verde não ocorreu por acaso. O município está entre os principais polos agroindustriais do Centro-Oeste, com forte produção de milho, soja, proteína animal e uma cadeia logística já consolidada. A Prefeitura de Rio Verde destaca que o município alcançou PIB de R$ 22,3 bilhões em 2023, consolidando-se entre as maiores economias do Centro-Oeste.
Com a instalação da Inpasa, Rio Verde deixa de ser apenas um grande produtor de grãos e amplia sua capacidade de transformar a produção local em produtos de maior valor agregado. O milho, antes destinado principalmente à comercialização como commodity ou ao abastecimento de cadeias já existentes, passa a ganhar uma nova rota industrial: etanol, proteína animal, óleo vegetal e energia.
Esse movimento deve beneficiar diretamente produtores rurais, transportadores, prestadores de serviços, empresas de manutenção, fornecedores de insumos, construção civil, comércio e setor imobiliário. A chegada de uma indústria desse porte tende a movimentar a economia antes mesmo do início oficial da produção, com contratação de mão de obra, compra de materiais, hospedagem de trabalhadores, alimentação, transporte e serviços técnicos especializados.
Para o produtor rural, a presença da Inpasa cria uma nova alternativa de comercialização para o milho da segunda safra. A demanda industrial permanente pode contribuir para maior liquidez regional, redução de custos logísticos e maior previsibilidade na venda da produção.
O impacto também deve alcançar a cadeia de proteína animal. A produção de DDGS, subproduto utilizado na alimentação de bovinos, suínos e aves, fortalece a integração entre agricultura, pecuária e agroindústria — setores nos quais Rio Verde já tem participação expressiva.
Além disso, a unidade coloca Rio Verde em posição de destaque na agenda nacional de transição energética. A produção de etanol de milho e energia a partir de biomassa amplia a participação do município no mercado de combustíveis renováveis e reforça a imagem de Goiás como estado estratégico para a bioeconomia.
Mesmo com parte do mercado de etanol de milho demonstrando cautela diante do custo do dinheiro e das incertezas de demanda, a Inpasa segue com seu cronograma de expansão. Segundo o AgFeed, a companhia também prepara operações em Rondonópolis e amplia unidades já existentes, projetando crescimento de produção nos próximos anos.
Para Rio Verde, o recado é claro: a cidade não está apenas recebendo uma nova indústria, mas um empreendimento capaz de reorganizar parte da dinâmica econômica regional. A biorrefinaria fortalece o elo entre lavoura, indústria, energia, logística e geração de empregos, consolidando o município como um dos principais centros agroindustriais do Brasil.
Se o cronograma for mantido, dezembro de 2026 pode marcar o início de um novo ciclo para Rio Verde. A partir daí, a cidade passará a agregar ainda mais valor à sua produção agrícola, transformando milho em combustível, nutrição animal, óleo vegetal, energia e oportunidades para a população local.
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