Aplicativos, roteiros e experiências imersivas: conheça as ideias que podem mudar o turismo em Rio Verde
Projetos inscritos no Hackatur buscam facilitar o acesso a informações, prolongar a permanência dos visitantes e ampliar o consumo em hotéis, restaurantes, comércio e serviços
Aplicativos, roteiros personalizados, atendimento pelo WhatsApp, realidade virtual e até um museu a céu aberto estão entre as ideias apresentadas para o Hackatur 2026. A maratona de inovação reunirá participantes dispostos a criar soluções para um desafio antigo de Rio Verde: transformar o grande fluxo de visitantes ligados ao agronegócio, aos eventos e às viagens profissionais em oportunidades também para o turismo, a gastronomia, o comércio e os serviços locais.
O resultado definitivo das inscrições foi divulgado pela Secretaria Municipal de Turismo de Rio Verde no dia 22 de outubro. Como não houve recursos nem desistências, foram mantidos os nomes, a composição das equipes e a ordem apresentados no resultado preliminar.
Ao todo, o processo registrou 83 participações. Foram selecionadas 41 pessoas, sendo 21 integrantes de seis equipes já formadas e 20 participantes inscritos individualmente. Outras 39 pessoas ficaram no cadastro de reserva, enquanto três inscrições foram classificadas como não habilitadas ou duplicadas.
Mais do que selecionar participantes, os documentos do concurso mostram algumas das soluções que poderão ser desenvolvidas durante o evento.
Roteiros conforme tempo, orçamento e acessibilidade
Uma das propostas busca criar roteiros personalizados de acordo com o perfil de cada visitante. A ideia considera fatores como tempo disponível, orçamento, meio de deslocamento e necessidades de acessibilidade.
A solução foi apresentada pela equipe Zer0Slop e tenta enfrentar um dos principais problemas identificados pelo Hackatur: visitantes chegam à cidade para compromissos profissionais, mas encontram dificuldade para descobrir rapidamente onde comer, o que visitar e quais atividades cabem no tempo disponível.
Na prática, uma pessoa que tenha apenas algumas horas livres poderia receber sugestões diferentes das destinadas a alguém que permanecerá durante todo o fim de semana. O mesmo sistema poderia adaptar as indicações ao orçamento e à forma de deslocamento do usuário.
Gamificação para estimular visitas e consumo local
A equipe AMW Inova apresentou a proposta Viva RV, que reúne gamificação, visitas, rotas e conexão com negócios locais. O objetivo é usar mecanismos semelhantes aos de jogos para incentivar o visitante a conhecer diferentes lugares e estabelecimentos de Rio Verde.
A proposta combina conhecimentos de administração, análise de dados e desenvolvimento de software. A conexão com empresas locais pode ajudar restaurantes, hotéis, lojas e prestadores de serviços a aparecerem nos roteiros utilizados pelos visitantes.
O documento de seleção, porém, não detalha quais mecanismos de incentivo serão adotados. Pontos, recompensas e eventuais vantagens comerciais ainda dependeriam do desenvolvimento da solução durante a maratona.
Realidade virtual para apresentar Rio Verde
Outra ideia selecionada é a Rio Verde 360, da equipe Ello. O projeto pretende divulgar a cidade por meio de experiências imersivas e realidade virtual, diferenciando-se das plataformas tradicionais que funcionam apenas como catálogos de estabelecimentos ou listas de pontos turísticos.
A tecnologia poderia permitir que usuários conhecessem virtualmente determinados espaços antes de visitá-los. O documento divulgado pela Prefeitura não informa quais lugares seriam incluídos inicialmente nem como a experiência seria disponibilizada ao público.
Atendimento pelo WhatsApp e funcionamento mesmo sem internet
A equipe Arantes propôs uma ferramenta de assistência pelo WhatsApp e uma aplicação web progressiva, conhecida como PWA, que poderia continuar oferecendo determinadas funções mesmo sem conexão constante com a internet.
A solução seria voltada especialmente para eventos e contemplaria recursos de acessibilidade, integração de informações turísticas e referências ao Cadastur, o cadastro oficial de pessoas e empresas que atuam no setor. A equipe combina conhecimentos de engenharia de software, Libras e design.
A utilização do WhatsApp pode facilitar o acesso de pessoas que não desejam instalar um aplicativo específico apenas para visitar a cidade ou participar de determinado evento.
Agenda dinâmica e museu a céu aberto
A equipe GOMO apresentou uma proposta baseada em uma agenda dinâmica e na criação de um museu a céu aberto relacionado à identidade local. A solução seria acessada diretamente pelo navegador, sem obrigar o visitante a instalar um programa no celular.
A ideia pode aproximar tecnologia, história e ocupação dos espaços públicos. Entretanto, o documento não detalha quais locais, obras, personagens ou acontecimentos históricos fariam parte do museu.
Informações reunidas em um único lugar
Entre os participantes individuais, há propostas que tentam resolver a fragmentação das informações turísticas de Rio Verde.
Uma delas é o Conecta Rio Verde, plataforma que pretende reunir eventos, gastronomia, hospedagem e atrativos em um ambiente acessível pelo celular e sem necessidade de instalação. Outra proposta, denominada Visita Rio Verde, prevê calendário de eventos, roteiros personalizados e informações sobre hospedagem em uma plataforma de turismo inteligente.
Também foi apresentada uma ideia voltada à conexão entre profissionais do mercado imobiliário e o setor turístico, com foco no público que chega a Rio Verde por negócios ligados ao agronegócio, feiras, empresas e investimentos.
Dados podem ajudar a entender o comportamento dos visitantes
A proposta da equipe VERDEX combina recomendações, experiência do visitante e inteligência de dados. A equipe reúne competências em tecnologia, pesquisa, marketing e análise de informações.
Além de orientar o turista, uma solução desse tipo poderia ajudar a identificar quais eventos atraem mais visitantes, quanto tempo essas pessoas permanecem na cidade e quais tipos de estabelecimentos despertam maior interesse.
O uso concreto dessas informações, entretanto, dependerá do formato final do projeto, das regras de proteção de dados e de uma eventual implantação depois da competição.
Concurso prevê R$ 15 mil
O concurso público relacionado ao Hackatur possui valor estimado de R$ 15 mil e contempla a seleção dos participantes e a concessão de premiação. Os recursos são provenientes da Emenda Impositiva nº 6.
O evento conta com apoio institucional do Hub Goiás Rio Verde, centro de empreendedorismo inovador mantido pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com a Prefeitura de Rio Verde.
Ideias ainda serão desenvolvidas
As propostas apresentadas nas inscrições não devem ser confundidas com produtos já prontos. O Hackatur servirá justamente para que os participantes desenvolvam, testem e apresentem soluções durante a maratona.
Também não há indicação, até o momento, de que todos os projetos selecionados serão implantados pela Prefeitura. A premiação reconhecerá as melhores soluções, mas uma eventual adoção pelo município dependerá das próximas etapas e das condições técnicas, jurídicas e financeiras de cada projeto.
O principal resultado poderá surgir depois do evento: saber se alguma das ideias deixará a fase de competição e será efetivamente testada em Rio Verde. Afinal, mais do que premiar aplicativos e plataformas, o desafio será transformar essas propostas em ferramentas capazes de levar visitantes a permanecer mais tempo na cidade e movimentar a economia local.
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