Rio Verde elege quatro representantes, mas Karlos Cabral perde vaga na Assembleia
Paulo do Vale e Lissauer Vieira chegam à Alego, enquanto Lucas do Vale e Marussa Boldrin garantem cadeiras na Câmara dos Deputados; resultado também encerra atual mandato de Karlos Cabral
As eleições de 2026 redesenharam a representação política de Rio Verde em Goiânia e Brasília. O município terminou a apuração com quatro nomes diretamente ligados à cidade eleitos para os Legislativos estadual e federal: Paulo do Vale e Lissauer Vieira conquistaram vagas na Assembleia Legislativa de Goiás, enquanto Lucas do Vale e Marussa Boldrin foram eleitos para a Câmara dos Deputados.
O resultado, porém, também teve um derrotado de peso. Atual deputado estadual, Karlos Cabral disputou a reeleição pelo PSB, mas não conseguiu permanecer entre os 41 parlamentares eleitos para a próxima legislatura. Com isso, Rio Verde troca parte de sua representação na Assembleia: saem Lucas do Vale, que avançou para a Câmara Federal, e Karlos Cabral; entram Paulo do Vale e Lissauer Vieira.
Paulo do Vale estreia na Assembleia com votação expressiva
O principal resultado entre os candidatos rio-verdenses a deputado estadual foi alcançado por Paulo do Vale, do PSD. Ex-prefeito de Rio Verde por dois mandatos, ele recebeu 72.792 votos em Goiás, ficando na quarta colocação geral entre os candidatos ao cargo no estado. Será sua primeira experiência como deputado estadual.
A força eleitoral de Paulo do Vale ficou especialmente evidente em Rio Verde, onde obteve 43.982 votos. O número representou aproximadamente 39,64% dos votos válidos destinados a deputado estadual no município. Cerca de seis em cada dez votos de sua campanha foram, portanto, conquistados em sua principal base política.
A vitória confirma o favoritismo atribuído ao ex-prefeito durante a campanha. Antes da eleição, análises políticas já apontavam Paulo do Vale como o nome local com maior capacidade de concentrar votos, sustentado principalmente pela lembrança de seus dois mandatos à frente da Prefeitura e pela estrutura de sua base política no município.
Lissauer Vieira retorna à Alego
O segundo representante de Rio Verde eleito para a Assembleia foi Lissauer Vieira, do PL. O ex-presidente da Alego recebeu 46.056 votos em todo o estado, terminando como o 16º candidato mais votado para deputado estadual em Goiás.
Em Rio Verde, Lissauer Vieira obteve 8.460 votos, sua maior votação municipal. Diferentemente de Paulo do Vale, que concentrou a maior parte de seu desempenho na cidade, Lissauer conseguiu construir uma votação mais distribuída por Goiás, característica importante para assegurar sua volta ao Legislativo estadual.
O resultado representa um retorno, e não uma estreia. Lissauer Vieira já exerceu mandato de deputado estadual e presidiu a Assembleia Legislativa de Goiás. Sua eleição devolve ao município um representante com experiência na estrutura interna da Casa e trânsito político fora do Sudoeste Goiano.
Lucas do Vale deixa a Alego e avança para Brasília
Se Paulo do Vale ocupará pela primeira vez uma cadeira na Assembleia, seu filho, Lucas do Vale, seguirá o caminho inverso. Ele deixa o cargo de deputado estadual para assumir uma vaga na Câmara dos Deputados.
Candidato pelo PSD, Lucas do Vale foi eleito deputado federal com 126.679 votos. Em Rio Verde, foi o candidato à Câmara mais votado, concentrando 50,44% dos votos válidos do município para deputado federal.
O resultado coloca pai e filho simultaneamente nos Legislativos estadual e federal. A partir de fevereiro de 2027, Paulo do Vale representará a região na Alego, em Goiânia, enquanto Lucas do Vale passará a atuar na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Embora deixe de ser deputado estadual, Lucas do Vale não pode ser incluído entre os parlamentares que “perderam o cargo”. Na prática, ele conquistou outro mandato eletivo e avançou da esfera estadual para a federal.
Marussa Boldrin conquista a reeleição
A outra representante ligada a Rio Verde eleita para a Câmara foi Marussa Boldrin, do Republicanos. Ela recebeu 88.888 votos em Goiás e garantiu seu segundo mandato consecutivo como deputada federal.
Marussa terminou como a 15ª candidata mais votada ao cargo no estado. Embora possua ligação política com Rio Verde, construiu uma base eleitoral distribuída por diferentes municípios. Sua maior votação municipal foi registrada em Planaltina, onde obteve 2.234 votos. Em Rio Verde, apareceu como a terceira candidata a deputada federal mais votada, com 6,93% dos votos válidos locais para o cargo.
A reeleição de Marussa Boldrin, somada à vitória de Lucas do Vale, dará a Rio Verde dois nomes associados ao município na Câmara Federal durante a legislatura de 2027 a 2031.
Karlos Cabral perde o mandato
A principal derrota entre os nomes locais foi a de Karlos Cabral. Deputado estadual em exercício e candidato à reeleição pelo PSB, ele não aparece entre os 41 parlamentares que conquistaram vagas na Assembleia Legislativa. O PSB elegeu Rubens Marques, que recebeu 24.564 votos, mas Karlos Cabral ficou fora da composição da próxima legislatura.
Sua derrota já era considerada uma possibilidade durante a campanha. Análises publicadas antes da eleição apontavam que o PSB poderia ter dificuldades para conquistar mais de uma cadeira e que Rubens Marques aparecia como o nome mais competitivo da legenda. O sistema proporcional agravava o desafio, porque a eleição de um deputado não depende apenas da votação individual, mas também do desempenho global do partido ou da federação.
Ele havia confirmado que disputaria a reeleição e defendia a continuidade de sua atuação parlamentar. Também sustentava a necessidade de aumentar a presença de Rio Verde nas decisões estaduais. O resultado das urnas, entretanto, encerra o atual ciclo do deputado na Alego ao término da legislatura, em janeiro de 2027.
Outros candidatos locais ficam fora da Assembleia
Rio Verde apresentou oito candidaturas diretamente ligadas ao município para deputado estadual. Além dos eleitos Paulo do Vale e Lissauer Vieira, concorreram Alessandro Caxotinho, Eder Magrão, Fernando Cruvinel, Karlos Cabral, Nayara Barcelos e Wesley Suspencar. Os seis não conseguiram entrar na lista dos deputados estaduais eleitos.
Nayara Barcelos, do Novo, obteve um resultado expressivo dentro de Rio Verde e terminou como a segunda candidata a deputado estadual mais votada no município, com 12,27% dos votos válidos locais para o cargo. Wesley Suspencar, do PSDB, apareceu na sequência, com 7,81%. Apesar do desempenho municipal, nenhum dos dois conseguiu alcançar uma vaga quando considerada a apuração de todo o estado e a distribuição proporcional das cadeiras.
Eder Magrão, vereador e um dos nomes apontados como competitivos antes da eleição, também ficou fora. O mesmo ocorreu com Fernando Cruvinel e Alessandro Caxotinho. Diferentemente de Karlos Cabral, a derrota desses candidatos não significa a perda automática de seus cargos municipais. Quem já exerce mandato de vereador continua normalmente na Câmara de Rio Verde, pois a candidatura a deputado não provoca renúncia ao mandato municipal.
Rio Verde mantém quatro nomes entre Goiânia e Brasília
Ao final, Rio Verde sai das eleições com uma representação numericamente relevante:
Paulo do Vale, deputado estadual eleito pelo PSD;
Lissauer Vieira, deputado estadual eleito pelo PL;
Lucas do Vale, deputado federal eleito pelo PSD;
Marussa Boldrin, deputada federal reeleita pelo Republicanos.
A cidade mantém dois nomes na Assembleia, repetindo numericamente a representação conquistada em 2022, mas com uma composição completamente diferente. Lucas do Vale deixa a Casa para assumir uma cadeira federal, enquanto Karlos Cabral perde o mandato. As vagas locais passam a ser ocupadas por Paulo do Vale e Lissauer Vieira.
A mudança também reforça dois grupos políticos tradicionais da cidade. De um lado, a família Do Vale passa a ocupar simultaneamente uma cadeira na Assembleia Legislativa e outra na Câmara dos Deputados. De outro, Lissauer Vieira recupera espaço no Legislativo estadual. Marussa Boldrin, por sua vez, preserva o mandato federal e completa o grupo de quatro representantes associados a Rio Verde.
O novo desenho aumenta a expectativa para que a cidade transforme sua força política em resultados concretos. A partir de 2027, os quatro parlamentares deverão ser cobrados por recursos e articulações em áreas como aeroporto, rodovias, saúde regional, segurança, habitação, educação, industrialização e infraestrutura urbana. Mais do que eleger representantes, o desafio de Rio Verde será acompanhar o desempenho de cada um e medir quanto dessa representação chegará efetivamente ao município.
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