Rio Verde aumenta produção de leite em 17% e assume segunda posição em Goiás
Município produziu 93,1 milhões de litros em 2025, registrou o maior crescimento entre os principais produtores goianos e avançou duas posições no ranking estadual
Rio Verde alcançou mais uma posição de destaque no agronegócio goiano. O município produziu 93,1 milhões de litros de leite em 2025 e se tornou o segundo maior produtor de Goiás, atrás apenas de Orizona.
O resultado representa um crescimento de 17% em relação a 2024, quando a produção rio-verdense havia sido de 79,5 milhões de litros. Em apenas um ano, foram acrescentados cerca de 13,6 milhões de litros, volume suficiente para fazer Rio Verde avançar da quarta para a segunda colocação no ranking estadual.
Os números fazem parte da Pesquisa da Pecuária Municipal de 2025, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e foram apresentados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás na edição de outubro do boletim Agro em Dados.
Maior crescimento entre os principais produtores
Além de assumir a segunda colocação estadual, Rio Verde registrou o maior crescimento percentual entre os principais municípios produtores de leite de Goiás.
A produção local passou de 79,5 milhões para 93,1 milhões de litros, uma diferença aproximada de 13,6 milhões de litros. Na média, o volume produzido em 2025 corresponde a cerca de:
255 mil litros por dia;
10,6 mil litros por hora;
quase 3 litros por segundo.
O crescimento reforça a importância da pecuária leiteira dentro de uma economia rural tradicionalmente conhecida pela produção de grãos, criação de aves, suínos e bovinos, além da presença de cooperativas e grandes agroindústrias.
Orizona permanece na liderança
Mesmo com o avanço de Rio Verde, Orizona continua como o maior produtor goiano de leite. O município ocupa a liderança estadual desde 2018 e alcançou 138 milhões de litros em 2025, crescimento de 10,8% em comparação com o ano anterior.
A diferença entre Orizona e Rio Verde ficou em aproximadamente 44,9 milhões de litros. Apesar da distância, o crescimento proporcional de Rio Verde foi superior ao registrado pelo líder estadual.
Enquanto Orizona ampliou a produção em 10,8%, Rio Verde avançou 17%, indicando uma expansão mais acelerada da atividade leiteira no município.
Crescimento local contrasta com queda na industrialização estadual
O desempenho de Rio Verde chama ainda mais atenção porque ocorre em um momento de redução na quantidade de leite industrializado em Goiás.
No segundo trimestre de 2026, os estabelecimentos goianos industrializaram 535 milhões de litros, queda de 6,8% em relação aos 573,8 milhões registrados no mesmo período de 2025. Na comparação nacional, o movimento foi inverso: a captação brasileira cresceu 1,1% e chegou a 6,6 bilhões de litros.
A diferença entre o crescimento da produção em Rio Verde e a redução da industrialização estadual mostra que os dois indicadores devem ser observados separadamente. A produção municipal se refere ao volume obtido nas propriedades rurais durante 2025, enquanto o dado estadual mede o leite adquirido ou recebido por estabelecimentos inspecionados no segundo trimestre de 2026.
Preço pago ao produtor ficou acima da média nacional
O mercado também apresentou melhora nos preços pagos aos produtores goianos. Em agosto de 2026, o litro do leite em Goiás chegou a R$ 2,97, alta de 1% em relação a julho.
O valor estadual ficou 2,8% acima da média nacional, que foi de R$ 2,89 por litro. Segundo o levantamento, Goiás permaneceu acima da média brasileira pelo terceiro mês consecutivo e alcançou o maior preço para um mês de agosto desde 2022.
O preço médio não significa que todos os produtores tenham recebido exatamente o mesmo valor. A remuneração final pode variar conforme qualidade do leite, volume entregue, distância, negociação com compradores, custos de transporte e bonificações adotadas por cooperativas e laticínios.
Setor movimenta uma cadeia que vai além das fazendas
O aumento da produção não beneficia apenas as propriedades especializadas na atividade. A cadeia leiteira movimenta diferentes setores da economia, incluindo:
fornecimento de ração e suplementos;
assistência veterinária;
reprodução e melhoramento genético;
fabricação e manutenção de equipamentos;
transporte refrigerado;
cooperativas e laticínios;
comércio de medicamentos e insumos;
produção de queijos, manteiga, leite em pó e outros derivados.
O crescimento também pode aumentar a demanda por mão de obra qualificada no campo e ampliar a circulação de dinheiro em atividades ligadas ao transporte, comércio e prestação de serviços.
Importação de leite em pó aumentou em Goiás
Apesar do avanço de municípios como Rio Verde, Goiás registrou um movimento atípico na importação de produtos lácteos.
Em agosto, o estado importou 665,4 toneladas de lácteos. Desse total, 603 toneladas, ou 90,6%, foram de leite em pó. O volume importado somente naquele mês foi 14,8% superior à soma registrada entre janeiro e julho.
Segundo a análise estadual, o resultado pode estar ligado às negociações comerciais em vigor e à necessidade de abastecer a demanda interna diante da menor captação de leite pelas indústrias goianas.
A entrada de leite em pó importado é acompanhada com preocupação por parte da cadeia produtiva brasileira, pois o produto estrangeiro pode aumentar a oferta no mercado interno e pressionar os valores recebidos pelos produtores locais.
Novo resultado amplia força do agronegócio rio-verdense
A segunda posição na produção estadual de leite amplia a diversidade econômica do agronegócio de Rio Verde. O município já possui presença relevante na produção agrícola e na criação e industrialização de animais, mas o novo levantamento mostra que a atividade leiteira também ganhou escala.
O desafio agora será transformar o aumento de volume em renda sustentável para os produtores. Isso dependerá do comportamento dos preços, do custo da alimentação do rebanho, da produtividade das propriedades e da capacidade regional de industrializar o leite e agregar valor à produção.
Com 93,1 milhões de litros produzidos em um único ano, Rio Verde não apenas ganhou duas posições no ranking goiano. O município também demonstrou que a cadeia leiteira passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante dentro de uma das economias agropecuárias mais importantes de Goiás.
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