Médicos denunciam cortes de até 20% e redução de equipes na saúde pública de Rio Verde
Profissionais relatam diminuição nos valores dos plantões, mudanças em escalas e demissões; Prefeitura ainda não havia apresentado esclarecimento público
Profissionais que atuam na rede municipal de saúde de Rio Verde denunciam redução nos pagamentos de plantões, mudanças nas escalas médicas e cortes de equipes em diferentes unidades do município. As medidas teriam sido comunicadas nesta semana por mensagens de WhatsApp, sem negociação prévia ou apresentação de documento formal, segundo relatos divulgados nesta quinta-feira, 15 de outubro.
De acordo com a denúncia publicada inicialmente pelo Mais Goiás, a redução seria de 20% nos pagamentos realizados no novo Hospital Municipal Universitário e de 17% no Hospital Materno Infantil Augusta Bastos. Profissionais também relatam alterações nos valores dos plantões das Unidades de Pronto Atendimento, mas os percentuais referentes às UPAs não foram informados.
As informações começaram a circular entre médicos da região por meio de uma carta de repúdio e de mensagens compartilhadas em grupos profissionais. O documento contesta tanto os percentuais quanto a forma de comunicação das mudanças e afirma que o corte de 17% poderia alcançar plantões que já haviam sido realizados.
Até o momento, porém, não foi localizado um ato oficial da Prefeitura Municipal de Rio Verde detalhando os percentuais, o início da medida, as categorias atingidas ou a justificativa financeira para as alterações. Por isso, os números devem ser tratados como denúncias apresentadas pelos profissionais enquanto não houver manifestação oficial ou documentação pública que confirme integralmente seu alcance.
Mudanças também atingiriam escalas e equipes
Além da redução nos pagamentos, os relatos apontam possíveis mudanças na cobertura assistencial. Segundo a publicação, uma das UPAs teria perdido uma escala de pediatria, enquanto o Hospital Materno Infantil teria ficado sem escala de radiologia. Também foram mencionados desligamentos de profissionais de enfermagem e da equipe multidisciplinar em Unidades Básicas de Saúde.
Não foram divulgados, entretanto, o número total de profissionais desligados, a identificação de todas as unidades atingidas ou os horários eventualmente afetados. Também não há, até esta publicação, confirmação oficial de que algum serviço tenha sido suspenso ou de que pacientes já estejam enfrentando redução efetiva no atendimento.
O portal municipal relaciona o Hospital Municipal Universitário, o Hospital Materno Infantil, duas UPAs, o Samu, clínicas da família e outros departamentos como integrantes da estrutura da Secretaria Municipal de Saúde.
As escalas dos serviços de saúde podem ser consultadas pelo Portal da Transparência, mas a simples alteração de nomes ou horários nessas listas não permite determinar, isoladamente, se houve corte orçamentário ou redução permanente das equipes. O acompanhamento precisará comparar as escalas anteriores e posteriores às mudanças denunciadas.
Sindicato analisa o caso
O Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás, o Simego, informou ao Mais Goiás que a situação foi encaminhada à diretoria regional da entidade. Os próximos passos deverão ser avaliados em conjunto com os profissionais atingidos.
A reportagem também informa que o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás, o Cremego, teria sido comunicado por intermédio do sindicato. Até esta consulta, não havia sido localizada uma nota pública específica do Conselho sobre o caso.
O Cremego mantém uma delegacia regional em Rio Verde, responsável também por municípios como Acreúna, Caçu, Maurilândia, Montividiu, Quirinópolis, Santa Helena de Goiás e São Simão.
No site oficial do Simego, a relação de publicações mais recentes ainda não apresentava uma nota específica sobre Rio Verde. O sindicato vinha acompanhando discussões semelhantes em outros municípios goianos, especialmente envolvendo redução de plantões e risco de desassistência na rede pública.
Hospital Municipal Universitário é uma das principais estruturas da rede
O possível corte de 20% no Hospital Municipal Universitário ganha relevância pelo tamanho e pela importância da unidade. O hospital funciona 24 horas e integra a estrutura municipal de saúde de Rio Verde.
Apresentado no fim de 2025, o novo complexo possui mais de 300 leitos do SUS, incluindo 275 de enfermaria, 36 de UTI, 15 de observação no pronto-socorro e 21 unidades ambulatoriais. O prédio tem aproximadamente 25 mil metros quadrados e recebeu investimento superior a R$ 100 milhões, segundo informações da UniRV.
A universidade informou que custeou 50% do valor da obra e utiliza o hospital em atividades de ensino, pesquisa e extensão. A estrutura inclui centro cirúrgico, diagnóstico por imagem, hemodinâmica, laboratórios e sistema de cirurgia robótica.
A dimensão da unidade aumenta a necessidade de esclarecimento sobre quais profissionais estariam sujeitos aos cortes e se a mudança alcança apenas prestadores contratados, empresas médicas ou também servidores e empregados vinculados diretamente à administração.
Hospital Materno Infantil também estaria entre as unidades afetadas
No Hospital Materno Infantil Augusta Bastos, a redução denunciada seria de 17%. Os médicos afirmam que a mudança poderia alcançar serviços já prestados, ponto que deverá ser analisado pelo sindicato e pelas assessorias jurídicas envolvidas.
Documentos municipais anteriores mostram que o Hospital Materno Infantil vinha ampliando serviços e necessitando de novos profissionais. Um plano de trabalho relacionado à unidade mencionava expansão de leitos, atendimento a gestantes e puérperas de alto risco, nefrologia, hemodiálise, ultrassonografia e contratação adicional de profissionais. O documento, porém, refere-se a necessidades e custos calculados para 2025 e não confirma os cortes denunciados agora.
Impacto sobre pacientes ainda não está esclarecido
A principal preocupação é saber se a redução dos valores e das equipes poderá comprometer escalas ou aumentar o tempo de espera nas unidades. Até o momento, não há levantamento público que demonstre cancelamento de atendimento, fechamento de setores ou diminuição mensurável da capacidade assistencial.
Para avaliar o impacto real, será necessário esclarecer:
quais unidades foram atingidas;
quantos profissionais foram desligados;
quais especialidades tiveram escalas reduzidas;
se plantões já realizados serão pagos com valores menores;
quando as mudanças começaram ou começarão;
se existe risco de interrupção em pediatria, radiologia ou outros serviços;
qual é a justificativa orçamentária apresentada pela administração;
se os usuários perceberão alteração nos horários ou na capacidade de atendimento.
O Conselho Municipal de Saúde possui competência para acompanhar políticas, relatórios e decisões relacionadas à rede pública. O portal municipal mantém páginas destinadas a atas, resoluções, pareceres e relatórios do colegiado, com atualização indicada em 7 de outubro de 2026. Até esta pesquisa, não havia sido localizado nesses resultados um documento específico sobre os cortes agora denunciados.
Prefeitura ainda precisa esclarecer medidas
A Prefeitura Municipal de Rio Verde foi procurada pela reportagem original, mas ainda não havia se manifestado quando a matéria foi publicada, às 8h03 desta quinta-feira.
Também não foi encontrada, até a conclusão desta apuração, uma nota oficial nos portais municipais explicando a redução dos pagamentos ou a mudança nas equipes.
O posicionamento da administração é essencial para esclarecer se as medidas fazem parte de uma revisão contratual, adequação orçamentária, substituição de prestadores, reorganização das escalas ou redução permanente de despesas.
Enquanto não houver resposta oficial e apresentação dos documentos correspondentes, os percentuais de 20% e 17%, assim como as informações sobre demissões e retirada de escalas, permanecem como denúncias dos profissionais da rede, ainda sujeitas à confirmação administrativa e documental.
A matéria será atualizada caso a Prefeitura, a Secretaria Municipal de Saúde, o Simego ou o Cremego divulguem novos esclarecimentos.
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