Da música à inovação: empresária de Rio Verde entra para lista das 100 mulheres mais poderosas do agro
Nathália Secco transformou uma mudança inesperada na carreira artística em projetos que conectam produtores rurais, investidores e startups de tecnologia
Uma trajetória iniciada nos palcos e redirecionada para a tecnologia colocou Rio Verde em evidência nacional no agronegócio. A empresária Nathália Secco, que atua no desenvolvimento e no financiamento de soluções inovadoras para o campo, foi incluída pela Forbes Brasil na lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro de 2026.
Divulgada em 15 de outubro, data em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher Rural, a seleção reúne produtoras, pesquisadoras, executivas, empreendedoras e lideranças institucionais de diferentes regiões do país. Esta é a segunda edição da lista, lançada originalmente em 2021.
A escolha considera mulheres capazes de influenciar decisões, administrar recursos, desenvolver tecnologias ou provocar mudanças nas cadeias produtivas. Segundo a Forbes, poder, influência e impacto não são necessariamente a mesma coisa, mas todos esses elementos foram considerados na curadoria da edição de 2026.
Trajetória começou ainda na infância
Antes de entrar para o universo do agronegócio, Nathália Secco construiu sua carreira na música. Ela começou a estudar ainda aos cinco anos e, aos 14, lançou seu primeiro álbum pela Universal Music. Ainda adolescente, abriu uma empresa para administrar a própria atividade artística.
Aos 16 anos, ingressou no curso de Canto Lírico da Universidade Federal de Goiás, a UFG, com o objetivo de seguir profissionalmente na música e atuar como cantora de ópera.
Os planos, no entanto, precisaram ser revistos depois que um problema vocal congênito comprometeu sua capacidade de cantar. Nathália passou por uma cirurgia e enfrentou um processo de reabilitação no qual precisou desenvolver uma nova técnica vocal e reconstruir parte do repertório, devido às alterações em sua extensão vocal.
Mesmo conseguindo retornar à música, ela reduziu a frequência das apresentações líricas e começou a explorar outros caminhos profissionais. A mudança acabaria aproximando a empresária de um dos setores mais importantes da economia de Rio Verde.
Experiência em empresa familiar abriu caminho para o agro
A aproximação de Nathália com o agronegócio ocorreu durante os quatro anos em que trabalhou na empresa da família. A experiência permitiu que ela conhecesse de perto os desafios enfrentados por produtores e identificasse oportunidades para aplicar inovação e tecnologia no campo.
Em 2019, a empresária fundou em Rio Verde o Orchestra Innovation Center, apresentado como a primeira aceleradora goiana dedicada a startups de tecnologia para o agronegócio. O projeto busca aproximar empreendedores, empresas, investidores e produtores interessados em testar soluções tecnológicas diretamente nas propriedades rurais.
A iniciativa coloca Rio Verde em uma posição estratégica. Além de funcionar como um dos principais polos nacionais de produção de grãos, a cidade passou a servir também como ambiente de desenvolvimento e validação de novas tecnologias voltadas à agricultura.
Fundo de R$ 6 milhões para investir em startups
Em 2022, Nathália ampliou a atuação ao criar a Orchestra Ventures, empresa especializada em investimentos em startups ligadas ao agronegócio.
O projeto começou com um fundo de R$ 6 milhões, formado por capital próprio e pela participação de quatro empresas e três produtores rurais da região. O objetivo é apoiar negócios capazes de oferecer soluções para problemas reais encontrados nas lavouras e em outras etapas da produção.
As iniciativas lideradas pela empresária funcionam em etapas complementares. Enquanto o centro de inovação aproxima as startups dos produtores e permite que as tecnologias sejam experimentadas no campo, a empresa de investimentos direciona recursos para projetos considerados promissores.
Esse modelo ajuda a reduzir a distância entre uma solução desenvolvida por uma startup e sua utilização comercial nas propriedades rurais.
Tecnologias chegaram a cerca de 200 mil hectares
De acordo com números divulgados pelas empresas, as tecnologias apoiadas pelos projetos já alcançaram aproximadamente 200 mil hectares de plantações de soja, milho, cana-de-açúcar e algodão, principalmente no Sudoeste Goiano.
Entre os resultados informados está uma redução média de 40% nos custos de aplicação de herbicidas, obtida com tecnologias que permitem direcionar os produtos de acordo com a necessidade identificada em cada área da lavoura. Os dados são resultados apresentados pelas próprias iniciativas e não representam necessariamente o desempenho uniforme de todas as propriedades atendidas.
Além de diminuir custos, esse tipo de aplicação localizada pode evitar o uso desnecessário de produtos e tornar o processo agrícola mais eficiente.
Reconhecimento internacional
A empresária também possui formação complementar na Fundação Getulio Vargas e na University of California, Berkeley. Seu perfil profissional indica ainda participação em programas relacionados a capital de risco, inovação e desenvolvimento de negócios.
Em setembro de 2025, Nathália recebeu na Bélgica o prêmio Global Women in Agritech, reconhecimento internacional voltado às mulheres que atuam no desenvolvimento de tecnologias agrícolas. Ela foi a única brasileira entre as finalistas daquela edição.
Agora, a presença na lista da Forbes amplia a projeção de uma trajetória que une música, empreendedorismo, investimento e inovação.
Rio Verde ganha visibilidade como polo de tecnologia agrícola
A escolha de uma empresária que mantém seus negócios em Rio Verde também reforça uma transformação em andamento no município. A cidade já é reconhecida pelo volume da produção agropecuária e pela presença de grandes empresas do setor, mas começa a ampliar sua participação na criação de soluções tecnológicas para o campo.
O trabalho desenvolvido pelo Orchestra Innovation Center e pela Orchestra Ventures mostra que parte da inovação agrícola pode nascer perto das lavouras, onde os problemas são identificados e as tecnologias podem ser testadas em condições reais.
A inclusão de Nathália Secco entre as 100 Mulheres Poderosas do Agro de 2026, portanto, representa uma conquista individual, mas também contribui para projetar Rio Verde como espaço de empreendedorismo e inovação dentro do agronegócio brasileiro.
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