02 de Junho de 2016

Petição pede que Twitter revele quem retuitou vídeo de estupro coletivo

Abaixo-assinado pede que microblog compartilhe identidades com a polícia. Para especialistas, usuários que replicaram imagens cometeram crime

Três tuítes contendo o vídeo do estupro coletivo de uma jovem de 16 anos pipocaram na timeline da brasiliense Marta Carvalho na última quinta-feira (26). A produtora cultural de 45 anos ficou indignada e iniciou no mesmo dia um abaixo-assinado online para o Twitter identificar as pessoas que compartilharam a mensagem e enviar as informações à polícia para que sejam responsabilizadas judicialmente. “Não tinha como ter outro tipo de atitude", disse.

Com objetivo de reunir 35 mil assinaturas, a petição é endereçada a Guilherme Ribenboim, vice-presidente do Twitter para América Latina. Nesta quarta-feira (1º), ela estava prestes a atingir essa meta. A empresa não dá sinais de que vai atender ao pedido. Apesar de terem surgido no Twitter, as imagens foram replicadas no Facebook e WhatsApp. Esses serviços, no entanto, não são alvo da petição.

No texto do abaixo-assinado, Marta escreve: "Hoje todas nós vimos as consequências das injustiças, do não-cumprimento das leis e todos os tipos de violência direcionadas às mulheres, incitadas por uma sociedade que cria e fetichiza uma cultura do estupro".

'Valorização da violação da mulher'
A produtora cultural contou que fixou "mexida" ao ver a forma como os suspeitos do estupro se vangloriavam no vídeo. Para ela, as pessoas que passaram as imagens adiante  "fortaleceram algo que enfraquece toda uma sociedade".

“O que mais me chocou foi a postura desses compartilhamentos, porque foi uma violência que a gente não consegue nem qualificar nem quantificar. As pessoas generalizando a cultura do estupro, de uma forma como se fosse uma grande vitória 33 violarem uma mulher dessa forma. E ainda se sentir poderoso e divulgar dessa forma como foi divulgado.”

O intuito de Marta é que o microblog não só revele quem foram os usuários que replicaram as mensagens como também compartilhe essas informações com a polícia, que investiga o caso. Até agora, a polícia identificou sete suspeitos de praticarem o estupro. Prendeu dois. Foi por meio do vídeo e de reproduções das imagens publicadas nas redes sociais que a polícia conseguiu identificar os primeiros suspeitos.

“A gente vive nessa cultura da valorização da violação da mulher desde que a gente foi colonizado. As índias, as negras que foram trazidas. São muitos séculos de violência”, comenta Marta. “Nesse caso, a gente vê que retornou a banalização desse tipo de violência.”

O que diz o Twitter
Contatado, o Twitter não informou se irá revelar os nomes dos usuários. A empresa se limitou a dizer que é possível apontar conteúdos impróprios.

“Com o intuito de proteger a experiência e a segurança das pessoas que usam o Twitter, existem limitações sobre os tipos de conteúdo e de comportamento que são permitidos na plataforma. Quando o Twitter determina que um conteúdo denunciado viola tais regras, nós tomamos as medidas necessárias. Qualquer pessoa pode denunciar um conteúdo ao Twitter”, comunicou o microblog.

A companhia informou ainda que coopera com investigações. “O Twitter também coopera com as autoridades competentes conforme descrito em suas diretrizes para autoridades policiais.”

4 a 8 anos de prisão

Para Marta, essa “foi uma resposta óbvia”. “A gente precisa de uma atitude mais clara e até mesmo de um apoio.”

Ela lembra que as pessoas que compartilharam essas imagens também cometeram crime, avaliam especialistas. Mostrar cenas pornográficas de sexo envolvendo criança ou adolescente pode ser punido com pena de 4 a 8 anos de prisão.

“As pessoas têm que saber que existe justiça nesse planeta”, diz Marta. “Quando você é levado a responder judicialmente, você muda.”

G1

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