30 de Novembro de 2012

GTA Vice City completa dez anos

Jogo é um dos grandes clássicos do Playstation 2 e será agora lançado para IOS e Android

GTA III foi um marco na indústria dos games. Não foi o primeiro, mas foi o jogo que consolidou o gênero do mundo aberto – além de ter dado à Rockstar a fama que ela tem hoje. Mas GTA III tem um sério problema: ele envelheceu mal, muito mal. Vamos pegar como exemplo outro jogo que redefiniu o próprio gênero, vejamos… Super Mario 64. As pessoas podem jogar todos os jogos principais do encanador que saíram depois dele e ainda se divertir à vontade com a primeira incursão do personagem no mundo 3D. Mas o mesmo não acontece com GTA III, muito menos se comparado às suas seqüências.

Esse problema ficou ainda mais claro no ano passado, quando o game completou seu décimo aniversário. Resolvi rejogá-lo no PC e vi que não dava mais: a história ruim, a cidade sem vida, e a falta de variedade nos mais diversos níveis me forçaram a interromper o que seria uma jogatina de celebração. E para piorar, Rockstar insistiu em relançar o “clássico” para smartphones e tablets, numa conversão com controles tão ruins que tornou a jogatina ainda mais impraticável.

Um ano se passou, e cá estamos nós novamente comemorando os dez anos de outro título da franquia GTA. A situação parece se repetir: A Rockstar já começou a festa e está preparando uma versão de Vice City para smartphones. Mas antes de sair por aí cantando Billie Jean ou tirar a poeira daquele celular tijolão, vamos à pergunta: será que GTA Vice City foi muito prejudicado pela implacável força do tempo?

Quando se fala de um jogo lançado há dez anos, não tem como fugir da questão dos gráficos. E é fácil perceber que esse é o ponto mais fraco de Vice City em pleno 2012 – a tecnologia não perdoa ninguém, mas de forma alguma dá pra chamar de “feios” os gráficos do jogo. Vale lembrar ainda que em 2002 as softhouses ainda estavam pegando o jeito dos consoles 128 bits, portanto não espere um visual lindo como os vistos no final da geração passada. Para um olhar desatento isso pode ser o fim do mundo, mas basta olhar para o trabalho de direção de arte realizado para perceber o cuidado da Rockstar na construção desse pequeno mundo. Só a cidade já compensa a pouca potência gráfica – considero Vice City o GTA com a melhor ambientação de toda a franquia. Basta jogar por alguns minutos e qualquer um de cara percebe o clima dos anos 80. Agora pegue um desavisado e coloque-o para jogar San Andreas. Ele até pode acertar (no chute) que o game se passa nos anos 90, mas garanto que ele não irá olhar pra você e dizer “isso aí é nos anos 90, rapá! Certeza!”.

Além do pesado investimento em ambientação GTA Vice City, ficou marcado como o primeiro jogo em 3D da série a investir numa história de verdade. Alguém lembra da história de GTA III? Pois é, eu também não. Só me lembro que lá a Rockstar apostou num protagonista mudo,sem atitude e sem nome, que fazia tudo o que lhe mandavam sem hesitar. Num jogo onde você pode quebrar a lei de várias maneiras, um personagem principal que não reage a nada é algo no mínimo incondizente. A empresa corrigiu o erro no ano seguinte, apresentando um personagem que (como diriam nossas avós) “falava pelos cotovelos” – ele falava até mesmo durante os loadings! Era a primeira vez que Tommy Vercetti era apresentado ao mundo. Enfim um protagonista interessante! Sai um sujeito mudo, entra um que sempre tem uma reposta na ponta da língua; sai o anti-social, entra o que aumenta o círculo de amigos a cada missão cumprida.

Alguns podem se perguntar o porque de a Rockstar não ter começado logo com um protagonista falante em GTA III. Acontece que na ocasião ela preferiu o esquema do protagonista mudo que serve apenas como uma ponte entre o jogo e o jogador. Esse mesmo esquema é utilizado em jogos como os da série The Elder Scrolls, e Final Fantasy também fez uso dele no seu início. TES usa isso até hoje por se tratar de um jogo completamente aberto: há uma enorme gama de missões e fazer ou não fazê-las cabe inteiramente ao jogador, sendo possível terminar a história principal passando longe dassidequests da mesma forma que é possível ser impedido para sempre de concluir a linha principal de enredo (isso aconteceu comigo em Morrowind) – ou seja, é mais no sentido “faça sua história”. Final Fantasy e GTA possuem mais limitações nesse sentido – com enredos mais lineares – e por isso seguiram o caminho cinematográfico, onde aprenderam que não é preciso um protagonista mudo e sem graça para conseguir inserir o jogador na história. Essa escolha, no entanto, não veio sem tropeços. Talvez por inexperiência ou por medo de apelar para missões repetitivas, a história de GTA VC se desenrola de maneira rápida demais. Tommy passa de um zé-ninguém recém saído da prisão para manda-chuva da cidade em pouquíssimo tempo, e alguns pontos das relações entre personagens são mencionados, mas nunca vistos em tela.

Para dar uma maior sensação de poder e domínio sobre a cidade, também foi implementada a possibilidade de comprar imóveis com o dinheiro ganho. Se em GTA III você não tinha muito no que gastar além de armas, em Vice City é possível se tornar um verdadeiro empreendedor imobiliário, comprando desde casebres  cheios de lodo até luxuosas residências,  dando ao jogador mais lugares para salvar o progresso (algo que faltou em GTA III e seus escassos pontos de salvamento). Estabelecimentos comerciais também estão disponíveis para compra – entre estes estão uma fábrica de sorvetes, um estúdio de cinema e uma boate – e neles é preciso realizar missões para fazer o negócio prosperar. E aqui observamos uma peculiaridade sobre o senhor Vercetti: mesmo sendo dono dos lugares e tendo seus subordinados, é sempre ele quem põe a mão na massa em nome dos objetivos. Até para isso o roteiro dá uma justificativa – Tommy passou quinze anos trancafiado numa prisão, então é óbvio que ele vai preferir sair por aí explodindo e matando em vez de ficar atrás de um birô o tempo inteiro mandando seus capangas cumprirem o trabalho sujo.

Tudo isso, mais o tradicional ótimo trabalho da Rockstar na dublagem (Ray Liotta na voz de Tommy!), mais a equilibrada seleção de músicas das rádios (tem para todos os gostos: Turn Up the Radio, La Vida Es Una Lenteja, Video Killed the Radio Star… e muitas outras!) tornam Grand Theft Auto: Vice City num jogo que vence a força do tempo, um jogo que se mantém bom mesmo nesses tempos loucos de achievements, DLC’s e multiplayer desenfreado. Vida longa a Vice City!

Por Pedro Ivo Maximino

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