25 de Março de 2014

Preso fisioterapeuta que abusava de pacientes

Detenção aconteceu em Goiânia. Profissional é suspeito de prática libidinosa com pacientes. Duas vítimas relataram caso à Polícia Civil

A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), de Goiânia, prendeu o fisioterapeuta Robson Porto Nascimento, 42, por suspeita de posse sexual mediante fraude. Segundo duas jovens que procuraram a Polícia Civil (PC), ele teria apalpado o púbis das jovens e introduzido os dedos da mão na vagina das vítimas durante um tratamento em sua clínica no Setor Bueno, em Goiânia.

Segundo apuração da delegada Simelle Lemes, que está à frente das investigações, uma das vítimas seria uma garota de 15 anos que procurou o profissional por causa de problemas na coluna. Ela relatou à PC que no segundo semestre de 2013, durante uma sessão o suspeito disse que faria uma avaliação para saber se o tratamento estava tendo sucesso.

Neste procedimento ele apalpou seu púbis, e em seguida introduziu os dedos da mão na vagina, momento em que ela sentiu dor e reclamou. “Ela reclamou da dor, chorou, pediu pra parar e ele não parou, ele não fez nada e no final ainda deu um anti-inflamatório para ela e ela ficou constrangida, sem ter coragem de contar”, relata. O fato aconteceu apenas uma vez durante o tratamento. Ainda segundo o relato da vítima, uma aparelho que ela não soube precisar também foi introduzido na vagina. O fato só foi relatado aos pais da vítima da menor de 15 anos após ela encontrar outra paciente do fisioterapeuta e comentar sobre o assunto.

A outra vítima foi uma jovem de 19 anos que tinha um problema no joelho. Ela contou à delegada que após reclamar de dor na virilha teve o púbis apalpado e depois os dedos do suspeito foram introduzidos em sua vagina. O fato não é entendido como estupro. “Para haver o crime de estupro na idade das vítimas é necessário haver violência ou grave ameaça, não foi o caso”, explica a delegada.

Diante do caso delicado a PC pediu um parecer ao Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 11ª Região DF-GO (Crefito11) para entender se o ato teria realmente algum fim terapêutico. Embora existam procedimentos semelhantes com fins de cura, o órgão respondeu que não haveria possibilidade da prática fazer parte do tratamento. Só então ele foi preso. Até as vítimas estavam inseguras quanto à prática, se havia sido realmente um tratamento ou uma prática criminosa.

Robson Porto respondeu apenas algumas perguntas da PC “Ele negou que tivesse feito algo contrário aos ensinamentos da fisioterapia, às técnicas de Fisioterapia e se reservou o direito de responder com poucos detalhes.”

Explicação
Robson Porto, que já atuou em clubes de futebol da Capital como o Atlético, está preso preventivamente, por dez dias, que é o prazo para conclusão do inquérito. Ele está na DPCA, mas será encaminhado à Casa de Prisão Provisória. A delegada Simelle Lemes acredita que com a divulgação outras vítimas procurem à PC e relatem a agressão. Nós já temos algumas indicações que outras pacientes dele teriam sido vítimas”, espera.

O presidente do Crefito11, Bruno Metre Fernandes veio de Brasília para acompanhar o caso, segundo ele a documentação enviada pela delegacia fez constar que não houve uma conduta correta ao paciente. “Tem que haver livre consentimento, tem que haver preservação do corpo da pessoa, da dignidade da pessoa humana, menores tem que ser acompanhados. Isso não pode ser feito de qualquer forma, além do quê não restavam indícios nem informações no Conselho de que ele tivesse especialidades que permitissem essa atuação, especialmente desacompanhado, sem nenhuma cautela, nenhum cuidado adequado”, detalhou.

O presidente do Crefito11 relatou também que já houve uma queixa contra o fisioterapeuta, mas que o questionamento ético profissional feito à época não tem nenhuma relação com a atual situação. Processo este que já foi arquivado. O Conselho também vai apurar o caso e submeter o profissional a um julgamento que pode culminar na perda do registro profissional.

Fonte: Diário da Manhã/Deivid Souza. Foto:Mantovani Fernandes

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