08 de Novembro de 2016

Polícia investiga fraude em vestibular de faculdade de Medicina em Mineiros

Instituição nega ter havido problemas no certame. Organização criminosa fraudou Enem

A organização criminosa que fraudou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é a mesma que agiu em um vestibular de Medicina da Faculdade Morgana Potrich (Famp), realizado nos dias 15 e 16 de outubro em Mineiros, na região Sudoeste do Estado. O procurador da faculdade, Janúncio Dantas, disse ao POPULAR que o certame foi aplicado pela empresa Concursos, Residências Médicas, Avaliações e Pesquisas Ltda (Consesp), de São Paulo, terceirizada para a aplicação das provas do vestibular da instituição.

“As provas chegaram no dia do vestibular, em caixas lacradas. Todos os candidatos foram revistados e só puderam sair ao final da prova, todos juntos. Se houve algo, foi uma tentativa de fraude”, contou ao POPULAR.

Para Dantas, o que pode ter acontecido é a PF ter interceptado, por meio de grampos telefônicos, a ação da quadrilha referindo-se ao vestibular da instituição. “Digo isso porque, nos dias das provas nada irregular aconteceu”, afirma.

Ele também nega que alguém tenha sido preso durante a aplicação do vestibular. A informação de que a quadrilha agiu no vestibular da faculdade de Mineiros veio oficialmente da Polícia Federal, que deflagrou no domingo, em Montes Belos (MG), a Operação Embuste. Nela, que teve como objetivo investigar fraudes no Enem, foram cumpridos 28 medidas judiciais, sendo quatro de prisão temporária, quatro de condução coercitiva, 15 de busca e apreensão e outras cinco de sequestro de bens.

Outro vestibular teria sido fraudado pelo grupo preso pela Polícia Federal, em Vitória da Conquista (BA), nos dias 22 e 23 de outubro. O modo de agir do grupo envolve alta tecnologia, com pontos eletrônicos e uma central telefônica moderna onde as provas eram realizadas e o gabarito repassado aos candidatos que contratavam a organização criminosa. No caso do Enem, candidatos pagaram R$ 180 mil para receber o gabarito das provas, segundo informações da Polícia Federal.

A empresa Consesp foi procurada pelo POPULAR por telefone e por e-mail, mas seus representantes não responderam aos questionamentos relacionados a possíveis problemas do vestibular aplicado na Faculdade Morgana Potrich, que ofereceu 67 vagas no curso, que teve concorrência de 11 alunos por vaga.

A assessoria de imprensa da Polícia Federal, em Brasília, não repassou informações sobre a atuação da quadrilha no concurso realizado em Mineiros.

Já depois da deflagração da operação federal, um candidato de 34 anos foi preso fazendo a prova em Fortaleza (CE) usando equipamento eletrônico preso ao corpo e pontos de escuta nos ouvidos.

Conforme informou a Polícia Federal, os presos podem ser indiciados pelos crimes contra a fé pública, o patrimônio, a paz pública, dentre outros delitos, de acordo com a participação individual no esquema.

O Popular

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