25 de Setembro de 2015

Chefe de tráfico goiano preso no Ceará

Ele era o traficante de drogas mais procurado pela Polícia Civil em Goiás

Apontado como o traficante de drogas mais procurado pela Polícia Civil em Goiás, Iterley Martins de Sousa, de 32 anos, foi apresentado nesta quarta-feira (23), em Goiânia, após ser preso em Fortaleza. Conhecido como Magrelo, ele é suspeito de comandar, à distância, uma das maiores organizações criminosas de Goiás e já foi condenado pela Justiça a 52 anos e seis meses de prisão por homicídios e tráfico de drogas.

Para a Polícia Civil, a prisão de Iterley, que estava foragido desde 2008, representa um “golpe contra o tráfico de drogas e para a violência”. De acordo com a corporação, ele está em uma “uma verdadeira guerra” com uma quadrilha rival por disputa pelo comércio de drogas, que resultou em uma série de homicídios no estado.

Escoltado e vestido com colete à prova de balas, Iterley negou durante a apresentação que seja chefe da quadrilha e que esteja em guerra. “Quando saí dessa condenação por tráfico de drogas [em 2007], nunca mais tive envolvimento com o tráfico de drogas em Goiânia”, alegou.

Iterley disse ainda que está pagando por coisas que não cometeu: “Pessoas que eu não conheço falam que trabalham para mim, pessoas que eu não conheço que eu nunca tive envolvimento dizem que eu matei”.

Prisão
Iterley foi preso pela primeira vez em 2007 com Marcelo Gomes de Oliveira, conhecido como ‘Zói Verde’ e apontado pela polícia como o maior traficante de drogas de Goiás. No ano seguinte, ambos conseguiram alvará de soltura e deixaram o Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

Iterley estava foragido desde 2008. Em abril deste ano, integrantes da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc) iniciaram uma investigação direta para a captura dele.

Ele foi preso na segunda-feira (21), em Fortaleza, no Ceará, ao ir buscar em um centro de reabilitação uma cadeira de rodas doada para a mulher dele, que ficou paraplégica durante uma tentativa de homicídio ao casal em 2007. Com a equipe da delegacia, ele foi trazido de avião para Goiânia (veja vídeo).

Policiais da Denarc localizaram Iterley após monitorar um dos gerentes da quadrilha que, segundo a polícia, ele liderava em Goiânia. Esse suspeito não teve a identidade revelada, mas os investigadores acreditam que ele deve ser preso nos próximos dias. Cerca de dez agentes goianos estavam há 15 dias na capital cearense para definir a melhor ocasião para a prisão.

Segundo os investigadores, Iterley não resistiu à prisão e se surpreendeu por ser localizado. “Ele ficou muito assustado. Perguntou diversas vezes como conseguimos encontrá-lo. Ele disse que nunca imaginou que ia ser preso novamente”, contou o titular da Denarc.

Nome falso
De acordo com a Polícia Civil, Iterley usava o nome falso de Igor Batista de Oliveira. Ele morava com a mulher e dois filhos, um de 9 anos e outro de 1 ano e 8 meses, em uma casa alugada no bairro Vila Velha. Apesar de ser próximo à orla, o setor é de classe média/baixa.

Titular da Denarc, Alécio Moreira contou que Iterley tinha uma caminhonete e era proprietário de loja de sapatos, levando uma vida simples e sem se envolver com a criminalidade na cidade para não levantar suspeitas. “Ele não está com todo esse poder econômico, nós imaginamos que a guerra do tráfico o fez perder dinheiro”, disse Moreira.

Ao ser preso, ele disse informalmente aos policiais que estava há dois anos em Fortaleza. Antes disso, ele morou em Mato Grosso e na Bahia.

Iterley afirma que se mudou de Goiás para proteger a família. O irmão dele e a cunhada foram assassinados em 2008, na capital. “Tinha muito medo pela minha vida, a minha família estava toda perseguida”, disse.

Apesar de negar os crimes, os delegados não têm dúvida que Iterley coordena a organização criminosa. Por enquanto, eles não puderam adiantar provas nem detalhes da investigação. Três mandados de prisão estão em aberto contra gerentes da quadrilha, que devem ser cumpridos ainda nesta semana.

Guerra entre quadrilhas
De acordo com a apuração da Denarc, Iterley disputa o comércio de drogas com a quadrilha comandada por Tiago “Topeti”, que está preso no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. A briga começou após um dos integrantes da quadrilha de Magrelo ter executado um rival.

“Os crimes praticados pela organização criminosa de Iterley têm causado enorme intranquilidade social. Além dos frequentes tiroteios e do tráfico de drogas, ocorreram diversos homicídios sob o comando do investigado”, disse o delegado Miguel da Mota.

Os integrantes da Denarc não souberam precisar a quantidade de mortes relacionadas ao preso. Os casos são apurados na Delegacia de Intestigações de Homicídios de Goiás (DIH), que não se pronunciou sobre.

Além dos processos que já foi condenado, Iterley responde a outros processos que tramitam no Poder Judiciário. Ele também é investigado em inquéritos da Denarc por tráfico e associação ao tráfico de drogas.

Fonte: G1/GO

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