11 de Novembro de 2016

Alunos de Medicina podem ser expulsos de faculdade de Mineiros

Cada vaga no curso custaria R$ 150 mil. Organização criminosa escolhia candidatos conforme poder aquisitivo. Suspeitos prestam depoimento

Cerca de 200 alunos do curso de Medicina da Faculdade Morgana Potrich (Famp), de Mineiros, localizada a 430 quilômetros de Goiânia, podem ser expulsos da instituição se a Polícia Civil concluir que eles pagaram cerca de R$ 150 mil a uma organização criminosa que fraudou o vestibular do ano passado e que faturou cerca de R$ 9 milhões com a venda de vagas.

Parte dos alunos suspeitos foi conduzida ontem para prestar depoimento. Logo cedo, cinco mandados de prisão preventiva foram cumpridos pela Polícia Civil, que deflagrou a Operação Hipócrates. Foram presos o ex-diretor e um dos ex-proprietários da faculdade Alessandro Rogério Barros de Rezende, Diego Nader Gonçalves, Thiago Carvalho Sampaio e Sérgio Perotto Lobo. O delegado regional de Rio Verde, Marcos Rogério Guerini, disse ao POPULAR que pelo menos sete pessoas fazem parte da organização criminosa.

“É um grupo bem articulado. Alessandro não só venderia as vagas, mas também escolhia quem iria passar”, conta. Somente candidatos que tinham condição de pagar R$ 6 mil de mensalidade ficavam com a vaga, segundo o que foi apurado até agora na investigação.

De acordo com o delegado, na organização criminosa as funções eram bem definidas. “Tinha quem captava os candidatos, quem oferecia e vendia a vaga no curso de Medicina, quem recebia e quem lavava o dinheiro”, explica o delegado.

Até quarta-feira, a Polícia Civil tinha conhecimento de que 13 estudantes haviam comprado vaga na instituição.

Ao cumprirem os mandados de prisão, de busca e apreensão domiciliar, sequestro de bens e conduções coercitivas na manhã de ontem, os policiais civis encontraram duas listas com nomes de estudantes que também teriam comprado vaga. “O número passou para 200”. Também são investigadas empresas que eram usadas para lavar dinheiro da fraude.

Participaram da operação policiais civis de Mineiros, Jataí, Rio Verde, Santa Helena e da Inteligência, da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) e da Delegacia Estadual de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), as três com sede em Goiânia.

Comprovada a fraude, os indiciados, inclusive os estudantes, podem responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato.

Gestão diz que denunciou caso
O procurador da Faculdade Morgana Potrich (Famp), Janúncio Dantas, disse ontem que assim que os novos gestores compraram a então Faculdade Mineirense (Fama) suspeitaram de irregularidades no vestibular de Medicina da unidade e denunciaram o caso à Polícia Civil. “A fraude teria ocorrido no vestibular de 2015, quando a faculdade ainda era a Fama”, revela. Em nota oficial, a diretora da Famp, Morgana Potrich, diz que todas as providências foram tomadas quando suspeitou-se da ocorrência de fraude e que a instituição colaborou para a investigação da Polícia Civil, que culminou na operação realizada no Câmpus 2 da faculdade.

Disse, ainda, que a investigação tem como alvo os ex-gestores da unidade e que todos os alunos comprovadamente envolvidos na fraude serão expulsos da instituição.

O Popular

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