07 de Novembro de 2016

Futebol na rua

O jornalista Fábio Trancolin conta um pouco da história de Rio Verde em crônicas

Uma das maiores alegrias da infância, era uma bola. Indiferente do modelo ou tamanho, plástico, couro, número 2,3 ou 4... “Dente de leite”, plástico fino ou grosso, “Capotão” ou de salão... o formidável era a esfera dos sonhos. O lugar não interessava, o importante era o espaço. Uma turma, uma bola, a brincadeira escorria, só terminava quando a luz natural se punha.

Acredito que não teve uma quadra na minha época da infância, que eu não tenha disputado uma partida. Íamos longe para um jogo de futebol, do piso áspero da quadra da escola Raio de Luz, aos tacos lisos da AABB, da imensa quadra do módulo esportivo a pequena quadra da escola de enfermagem. As escolas abriam seus portões para o acesso da molecada. Porém, nenhuma me trouxe tanta satisfação, paixão, quanto a do Tiro de Guerra, ali foram dias inteiros de um gol no outro. Dente quebrado, joelhos esfolados e algumas contusões, mas a felicidade de ali estar... Nada pode comparar... Não posso esquecer da quadra do Colégio do “Astro Rei’, ali foram partidas memoráveis nos interclasses, no 2 ou 10, ou nas aulas de educação física.

Quanta saudade das inesquecíveis partidas de rua... Duas pedras, dois tijolos ou garrafas, camisas emboladas, chinelos, os livros da escola, conta três passos, assim era o espaço de um gol. Par ou ímpar, escolhe esse, escolhe aquele, quem sobrou espera, faz o time de fora, entra depois, todos jogam, todos esperam a sua vez, sem camisa, com camisa... O jogo normalmente vira 5 e termina 10. Pode durar até a mãe do dono da bola chamar ou até escurecer... De kichute, de conga ou descalço isso tanto faz... Para, para deixa o carro passar... Quem chutar pra longe vai buscar...a partida continua... Tinha carrinho pela frente ou por trás, falta só se sair sangue...  “Chuta a bola filho da p...” “A vai tomar no seu c” ...  “Gordo mole...” “Neguim safado, larga essa bola, toca...” “Viado do caralh..” ... Naquela época isso não era bullying. Segura, empurra, a paz reina, a partida continua... Quando estava escurecendo e um time estivesse ganhando de 10 a 2, sempre tinha alguém que gritava, “quem fizer ganha...” Éramos todos amigos, ninguém se ofendia... Ninguém contava pra mãe... No final, joelho e cotovelo ralado, tampão do dedo dilacerado... Em casa tem mertiolate, vai arder... Sopra, sopra, sopra...

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