20 de Maio de 2015

Em cartaz: Uma longa jornada

Filme está em exibição no Shopping Rio Verde

Previsível é uma boa palavra para descrever os filmes baseados em livros de Nicholas Sparks. É sério, se você viu um, viu todos. Só mude os nomes e profissões/propósitos de vida dos personagens. Nem precisa mudar muito a aparência – a preferência por galãs e mocinhas de cabelos dourados e olhos claros, “all-american people”, é constante até demais.

Uma Longa Jornada, lógico, não foge muito da fórmula: um casal se apaixona, mas o amor deles é dificultado por alguma coisa, então eles se separam, daí tem uma reviravolta e o final. Isso não é spoiler – é apenas uma simples análise da estrutura básica “Sparksiana”. Um Amor Para Recordar é assim, A Última Música é assim, Diário de Uma Paixão é assim. Então, nada novo por aqui.

Dessa vez, a história é protagonizada por Luke Collins (Scott Eastwood, assustadoramente parecido com papai Clint), um cowboy com uma ascendente carreira montando touros, mas que está voltando aos rodeios após um acidente que quase o matou. Do outro lado está Sophia Danko (Britt Robertson), estudante de artes  com uma promissora carreira em sua área. Já deu para adivinhar o conflito? Sim, são as diferentes visões de mundo – fundamentalmente.

O que dá graça a esse filme, porém, é o outro casal. Sim, há um outro casal. Em determinado momento da projeção, um senhor, Ira (Alan Alda), cruza o caminho de Luke e Sophia, e cria uma bonita relação com a mocinha. Ira tem uma bela história de amor (também) contada por meio das cartas que escreveu à esposa Ruth, amante de arte moderna – analogia mais que clara. Assim, uma história se desenvolve no tempo presente, com Luke e Sophia, e, nas visitas da protagonista a Ira, as cartas trazem flashbacks de seu romance com Ruth.

Jack Huston (neto do John) dá então vida ao jovem Ira, e Oona Chaplin (neta do Charlie) vive Ruth, e estes dois em cena são um deleite. Chaplin consegue desenvolver bem sua personagem, criando imensa empatia em cada segundo seu na tela. Huston tem o mesmo sucesso, e as interações entre o casal Ira e Ruth, bem como sua história, são os momentos pelos quais mais esperamos durante o filme.

Verdade seja dita, porém: o casal protagonista também está bem, dentro do possível, e tem química. Eastwood traz uma interpretação contida, que combina com a personalidade de seu cowboy – numa semelhança com o pai que apenas aumenta ao longo do filme. O charme está na genética e funciona bem na proposta de Uma Longa Jornada: vai balançar muitos corações. Robertson consegue criar mais profundidade com sua Sophia, há uma sutileza maior em sua atuação e ela dá conta do recado.

O que prejudica o casal principal é que sua história é superficial – eles não podem ficar juntos porque são muito diferentes –, e o fato de haver uma trama muito mais interessante ao mesmo tempo – Ira e Ruth – apenas destaca essa superficialidade. Se o foco do filme fosse em Ira contando sua história com Ruth em flashbacks, apenas permeado por essa trama de “somos de mundos diferentes, não podemos ficar juntos”, Luke e Sophia funcionariam como pequenas dicas para a história de Ira e Ruth, como uma situação nostálgica que faz o velhinho relembrar seu amor. Haveria o bônus de Chaplin e Huston ficarem mais tempo em cena, mas também produziria uma trama mais envolvente.

Mas daí não haveria tanto Scott Eastwood descamisado. A vida é feita de escolhas.

Uma Longa Jornada traz uma fórmula já puída, mas que o cinema continua usando e o público segue querendo. Porém, tenho que ser verdadeira: perto de outros filmes que usam a receita, este é bastante tolerável e chega a ter seus momentos inspirados. Poderia ser muito pior.

O filme está em exibição no Shopping Rio Verde em versão dublada às 18h35 e em versão legendada às 21h15. Clique no ícone “Vídeos” para assistir ao trailer do longa.

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