30 de Janeiro de 2017

Em cartaz: Resident Evil 6

Filme está em exibição nos dois shoppings de Rio Verde

Depois de depurar seu estilo e sua narrativa mínima em Resident Evil 5 - Retribuição - um filme que consumava a transição do cinema de horror claustrofóbico do longa de 2002 para um cinema mais aberto totalmente dedicado a encontrar, tridimensionalizar e coreografar espaços de ação - o diretor Paul W.S. Anderson concilia essas duas pontas em Resident Evil 6: O Capítulo Final e encerra (por enquanto) a série com um estrondo.

Em entrevistas, Anderson diz que fez em Retribuição o filme mais clean que poderia ter concebido - e sua intenção era buscar o oposto em RE6. A sujeira, de qualquer modo, dá a tônica de qualquer pós-apocalipse: Washington foi dizimada, laranja desbotado é a cor do fim do mundo, Alice passa os primeiros 15 ou 20 minutos do filme sem trocar diálogos com ninguém (não só pelo deserto sem humanos ao redor mas também, claro, porque dramaturgia nunca foi o forte e muito menos a ambição de Anderson), tudo se recobre de fuligem e sangue seco, e o último lugar de assepsia não seria outro senão o coração da grande corporação do mal, a Colmeia da Umbrella, cujos labirintos recebem Alice mais uma vez para fechar a saga.

O ciclo que se encerra traz de volta não só a pegada de horror do início da série - com sustos previsíveis no escuro, a céu aberto, para todos os gostos - mas também uma "sujeira" na maneira como Anderson acelera a ação e a duração dos planos para tornar RE6 mais violento e radical, o que na comparação faz RE5 parecer o máximo da contemplação e da elegância. A montagem não só acelera os planos como a própria quantidade de planos é menor e comprime a continuidade; em um intervalo de quatro ou cinco planos, por exemplo, que no total talvez não durem um segundo, Alice pode apontar uma pistola para a direita, notar um inimigo às costas, virar-se e desviar de um golpe, descarregar o pente, guardar a pistola. Nesses momentos mais acelerados - como a ótima cena de luta sobre o tanque na estrada - RE6 parece o Domino de Tony Scott, talvez o filme de ação mais frenético já feito.

O que torna RE6 muito particular, e especialmente arrojado, é que Anderson faz tudo isso depois de escolher, lá pela metade do filme, que todo o resto será encenado à noite ou em câmaras fechadas mal iluminadas. A combinação da baixa luz e da aceleração da ação com o cuidado que Anderson dedica ao 3D acaba fazendo de alguns set pieces de RE6, francamente, pequenas obras-primas de catarse visual. O principal é o edifício da resistência em Raccoon City, um esqueleto arquitetônico digno do Expressionismo, cheio de vigas e barricadas que criam espaços vazados para a luz, que passa cheia de dramaticidade. As cenas de diálogo quando Alice chega nessa base são as mais pobres? Claro que são; Anderson provavelmente as entende como uma formalidade e não é nelas que ele se escora. Fã de videogames desde sempre, o diretor crê que é na ação que tudo se resolve, e na ação não apenas seus atores ganham vida, mas também tudo aquilo que os cerca.

Além de juntar o horror em close-up do primeiro Resident Evil com seu senso arquitetônico depurado até RE5, Anderson dá novos passos temáticos. Aqui, o eterno vilão de todos os seus filmes, a megacorporação capitalista sem alma que oprime os indivíduos em espaços claustrofóbicos, ganha contornos de pauta do dia, na guinada que Dr. Isaacs e a Umbrella dão em direção ao fundamentalismo religioso (o personagem de Iain Glen inclusive cita o terror jihadista numa cena). E embora o distanciamento formal tenha se tornado a norma na série, RE6 pode ser visto até como um filme bastante confessional, na medida em que Anderson dá à sua família (Milla Jovovich entra em cena acompanhada da filha dela com Anderson, Ever, que interpreta a Rainha Vermelha apenas neste filme) uma importância muito particular.

O que queremos e esperamos de um filme de ação - ou do cinema, em geral, que antes de tudo é a arte do movimento? Em Resident Evil 6, Paul W.S. Anderson evolui estilisticamente e entrega uma experiência ao mesmo tempo personalista e muito autoconsciente, do ponto de vista da forma. Às vezes o conteúdo está nos olhos de quem vê.

O filme está em exibição nos dois shoppings de Rio Verde. Para conferir os horários, acesse http://www.cineflix.com.br/programacao/buriti-shopping-rio-verde/ e http://shoppingrioverdego.com.br/filmes. Clicando no ícone “Vídeos”, você assiste ao trailer do longa.

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