18 de Setembro de 2017

Em cartaz: Feito na América

Filme está em exibição nos dois shoppings de Rio Verde

Em pouco menos de dois anos já é a terceira vez que Barry Seal é representado nas telas. Depois de aparecer em Narcos e Conexão Escobar, o piloto de carreira que virou traficante e informante do governo americano agora é vivido por Tom Cruise em Feito na América (American Made, 2017) O viés do filme de Doug Liman, como o título já sugere, é o clássico ponto de vista econômico irônico do self-made man e do consumo, e mostra como um dos mais jovens comandantes de aeronaves comerciais da TWA se tornou um milionário aproveitando-se das altas confusões da Guerra Fria no Caribe e da explosão do narcotráfico entre os anos 1970 e 1980.

O filme toma algumas licenças em relação à história de Seal para - como seria de se esperar num veículo para Tom Cruise - romancear as habilidades e o charme do piloto, que no fundo parece ser menos um gênio da lábia e dos esquemas do que um homem que estava nos lugares certos nas horas certas. Liman incorpora os acasos ao seu filme e cria uma narrativa que parece se importar mais em explicar a geopolítica da época, de forma pedagógica, através da figura de Seal (que inclusive aparece gravando um didático diário em vídeo entre segmentos da trama). Embora Cruise seja onipresente, Feito na América não está tão interessado em entender como seu protagonista via o mundo.

A fotografia do brasileiro César Charlone segue um receituário que parece imutável: como se trata de uma trama latinoamericana, sobre questões sociopolíticas e criminais, então a única saída é saturar cores (o que rende momentos interessantes, como a iluminação de cena no apartamento onde Barry conhece Pablo Escobar, com o insulfilm na janela sublinhando um mundo completamente à parte da realidade solar, febril, do lado de fora). A fotografia e a narração, que costuram uma trama de múltiplos personagens, evocam o tipo de thriller criminal que Steven Soderbergh havia feito emTraffic e seus três Onze Homens.

Poucos diretores se oferecem a realizar um filme assim, impessoal, com tanta disposição quanto Doug Liman. Ele é o mestre da emulação, fazendo filmes sem assinatura, de consumo rápido, que se adequam a qualquer gênero e qualquer identidade visual. Nem sempre funciona. Para cada No Limite do Amanhã, que equilibra bem a descartabilidade com um ou outro elemento de gênero bem encaixado, Liman faz meia-dúzia de Jumpers. Feito na Américafica no meio termo; é um filme que tira sua força de uma envolvente história real e recorre ao carisma de Tom Cruise para tentar sustentar uma narrativa didática que não parece muito disposta a fazer com o espectador um jogo mais arriscado de sedução.

O filme é o vai e vém, no fim. Um evento se desfaz assim que o seguinte se coloca, e o único acúmulo que sentimos é o das informações - ficamos sabendo o suficiente para que as relações de causa e efeito se organizem e se justifiquem. Não é um acúmulo dramatúrgico. Para os padrões da cinematografia hollywoodiana, obcecada com arcos de personagens bem definidos, Feito na América parece bem despreocupado com esse tipo de construção, e o resultado é um filme acima de tudo panorâmico.

Na comparação, Conexão Escobar, por exemplo, é bem mais satisfatório, porque também se propõe panorâmico, mas pelo menos tenta entender e problematizar o gênero em que está inserido. Já Feito na América, ironicamente, termina se fixando menos no aspecto glamuroso do sonho americano, a realização do individualismo, do que no seu lado banal, que é o sucesso pré-formatado, da repetição e da uniformização. Quem são Barry Seal e seu filme, no fim, senão peões na fila da linha de produção.

O filme está em exibição nos dois shoppings de Rio Verde. Para conferir os horários, acesse http://www.cineflix.com.br/programacao/buriti-shopping-rio-verde/ e http://shoppingrioverdego.com.br/filmes. Clicando no ícone “Vídeos”, você assiste ao trailer do longa.

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