19 de Setembro de 2011

A água que bebemos é de boa qualidade?

A Saneago garante que análises constantes aferem a qualidade da água consumida pela população rio-verdense. Mas, acidentes em indústrias localizadas acima da captação do Abóboras e a eminência que outros podem acontecer, desperta preocupação

A preocupação com a qualidade da água consumida pelos rio-verdenses tem sido frequentemente questionada pela população. Acidentes que já aconteceram e a possibilidade real que outros possam acontecer, em decorrência das grandes indústrias que estão instaladas próximas à captação, torna a preocupação contínua. Será que a água que está sendo consumida é realmente de boa qualidade? São mais de 1200 m³ de água, captados por hora somente do Córrego Abóbora, unidade responsável por abastecer 70% da população de Rio Verde.

Os problemas de contaminação do manancial começaram em 2005, quando a Agroindústria BR Foods (antiga Perdigão) foi notificada pelo Ministério Público por um vazamento de dejetos que alcançou o Córrego. Como medida de segurança a Agroindústria construiu uma lagoa de contenção desses dejetos. Mas em 2007 após uma pane no sistema de bombeamento, dejetos encheram o tanque de contenção e chegaram ao manancial. Na época a água contaminada foi distribuída para mais de 90% da população.
 
Outro acidente aconteceu no mesmo ano. Parte do óleo da caldeira usado na empresa Orsa Celulose para a fabricação de papel foi parar nas águas do ribeirão. E, no ano passado, aproximadamente 7 mil litros de óleo vegetal da empresa Cargil Agrícola  foram derramados no Córrego Abóbora.
 
As empresas responsáveis pela poluição da água que abastece a cidade foram notificadas pelo Ministério Público (MP) e autuadas pelos acidentes ambientais. A empresa Perdigão assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) se comprometendo a proceder medidas urgentes para o afastamento total dos riscos de poluição à contaminação do manancial e ainda pagou uma multa de R$ 500 mil para a Agência Ambiental do Estado de Goiás e outra de R$ 7, 2 milhões da prefeitura de Rio Verde.

A Orsa também assinou o TAC e foi autuada pelo acidente. Já a Cargill se recusou a assinar o Termo de Compromisso e Ajuste de Conduta. Nesse caso, o MP solicitou a justiça a aplicação de uma multa de R$ 63 milhões à empresa, que recorreu e aguarda sentença judicial. Fatos não oficiais, relatados por funcionário da concessionária que pediu para se manter no anonimato, dão conta de que constantemente a Saneago é surpreendida em sua captação com problemas e dejetos oriundos de indústrias da localidade. Entretanto, esses possíveis sinistros não são divulgados.

Mas os prejuízos causados ao Meio Ambiente são irreparáveis e a qualidade da água consumida pela população passa a ser questionada. Nossa reportagem foi até a Companhia de Saneamento Básico (Saneago) responsável por captar, tratar e distribuir a água utilizada, para saber se o consumidor está recebendo água potável.  De acordo com o supervisor de operação de sistema Cleomar Cunha Silveira, o tratamento de água já começa nas margens do Córrego Aboboras, onde devem ser feitas vistorias para detectar se não há algum esgoto clandestino sendo jogado na sede de captação. “As vistorias são feitas em vários pontos, verificando se não há erosões, desmatamentos e principalmente esgotos clandestinos sendo jogados dentro do Abóboras. E depois de captada o tratamento da água é iniciado na subestação, onde são feito a separação de areia, sujeiras e o clareamento da água. Somente depois são colocados o cloro e o flúor para que a água saia de boa qualidade e potável até os consumidores”.

A qualidade da água
A Portaria 518, criada em 2004 pelo Ministério da Saúde, estabelece os procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. De acordo com essa portaria, toda Companhia de saneamento é obrigada a seguir os padrões para garantir assim que o consumidor receba em sua residência água pronta para o uso.

O laboratório de análise de água da Saneago realiza diariamente testes para medir a potabilidade da água consumida pelos moradores. O processo de analise diária do Índice de Qualidade da Água (IQA) mede os padrões exigidos pelo Ministério da Saúde em relação à quantidade permitida de Fluor, Turbidez, cor da água, PH, alcalinidade, ferro e alumínio, bem como a análise bacteriológica dos índices de coliformes.
 
Katiuscia Maria Ferreira, técnica industrial em saneamento responsável pela realização das análises, cita que as amostras são colhidas diariamente em pontos variados da cidade, “Em média são colhidas 15 amostras por dia, desde pontos fixos como hospitais, escolas a pontos aleatórios na cidade e levados ao laboratório para realização das analises.” De acordo com a técnica as análises são para verificar se a água recebida pelos consumidores está realmente dentro dos parâmetros exigidos. “A água é colhida na primeira torneira ou no próprio hidrômetro e caso haja alguma alteração nos índices permitidos, as analises são repassadas ao supervisor e são feitas averiguações para detectar as causas do problema”. Confirma a técnica.

De acordo com a análise físico-química exigido pelo Ministério da Saúde, o percentual para que a água seja considerada potável tem que estar entre 0,5 e 2,0 miligramas por litro de Cloro, com PH entre 6,0 e 9,5 e ferro entre 0,3 mg/l. As análises são feitas diariamente em casa laboratório dos sistemas de tratamento de água para que o padrão  exigido pelo MS seja mantido na água distribuída a comunidade.

Por Vanderli Silvestre e André Furquim - Publicado no Jornal Fatos

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